Curitiba - O procurador-geral de Justiça do Estado do Paraná, Milton Riquelme de Macedo, afirmou ontem que nas fitas apreendidas com o policial civil Délcio Rasera há evidências do envolvimento de pessoas ligadas a órgãos públicos federais no esquema de grampos. ''Tem matérias nas investigações que passarão a ser de competência da Justiça Federal'', afirmou. Riquelme não quis informar quais órgãos estariam envolvidos especificamente no caso, mas garantiu que o Ministério Público (MP) do Paraná já solicitou apoio ao MP Federal nas investigações. Rasera pertencia aos quadros do Executivo do Paraná e foi preso na semana passada suspeito de comandar um esquema ilegal de interceptações telefônicas.
Já em relação à ligação do policial civil com o Executivo estadual, Riquelme voltou a afirmar que, por enquanto, não há indícios da participação do governo do Paraná no caso, mas em seguida confirmou que já foi solicitado à promotora de Justiça Terezinha Signorini, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, a abertura de um inquérito para apurar possível improbidade administrativa de funcionários públicos.
Além de Rasera, Riquelme confirmou que o nome do assessor especial do governador licenciado Roberto Requião (PMDB), Mário Lobo, está incluído no inquérito. Em depoimento prestado recentemente, Rasera informou que trabalhava no Executivo sob a orientação de Lobo. A reportagem entrou em contato ontem à tarde com o Palácio Iguaçu, mas a informação era de que Lobo estaria viajando. O celular do assessor também estava desligado.
Um mandado de busca e apreensão também foi realizado na Imprensa Oficial, do governo do Estado, mas Riquelme explicou que ainda não se trata de indícios de participação do Executivo, já que o ''mandado pode ter um caráter pessoal, e não necessariamente funcional'', disse ele, evitando dar mais detalhes sobre as investigações. O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) chegou a dizer na tribuna da Assembléia Legislativa, no início da semana, que uma outra pessoa presa na Operação Pátria Nossa (e que resultou na prisão de Rasera) seria funcionária da Biblioteca Pública do Paraná, também pertencente ao governo do Estado. Riquelme não soube informar. ''Não ouvi nenhum comentário sobre isso'', disse.
Questionado sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Assembléia Legislativa para apurar o caso - a CPI do Grampo - Riquelme disse que a possibilidade não o desagrada. ''Nós já estamos investigando, mas a CPI talvez pudesse dar penalidades políticas'', afirmou ele, apesar de ter se recusado a revelar se há ou não nomes de políticos envolvidos no esquema.

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