Para viabilizar as licitações fraudulentas na AMA e na Comurb, o MP investiga o uso de ‘‘laranjas’’ no esquema. Um deles é o vigia Osório Benato Miola, de 44 anos, de Curitiba. O outro é o lavrador José Aparecido dos Santos, de 29 anos, em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina). O vigia foi localizado em janeiro pela Folha, em Curitiba. O lavrador foi encontrado na semana passada pela Polícia Federal.
A PF chegou a Santos por causa de um inquérito conduzido pelo delegado João Luiz do Prado, que apura emissão de cheques sem fundo. Uma foto do lavrador foi usada para confecção de documentos que teriam sido usados para abrir contas bancárias e pelo menos uma empresa fantasma, a Freitas & Dutra. A Freitas & Dutra tinha conta na agência central do Banestado e foi usada para a lavagem do dinheiro desviado em licitações fraudulentas da Comurb.
O lavrador negou que tenha participado de esquema envolvendo empresas fantasmas. À Folha, ele contou que há cerca de dois anos trabalhava numa oficina mecânica em Londrina e tinha contato quase diário com um cliente chamdo ‘‘Lorival’’, que se dizia funcionário de uma secretaria da Prefeitura de Londrina e amigo de um político.
Santos disse que pegou carona com o cliente em uma ocasição e esqueceu a carteira no carro do rapaz. Posteriormente, teria dado falta de uma foto 3 por quatro que ele guardava na carteira, mas não deu importância. Disse que só soube que teria aberto uma empresa fantasma ao ver sua foto em uma reportagem de TV, há cerca de um mês.
Ele promete revelar nomes que incriminariam uma pessoa influente de Londrina quando for ouvido novamente na Polícia Federal.
Outro usado como ‘‘laranja’’, Osório Benato Miola, figura como proprietário das empresas Edificadora Veneto, Venelux e Da Ros, que participaram e venceram concorrências públicas para a realização de obras e prestação de serviços em Londrina.
As três empresas figuram na medida cautelar inominada de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de indisponibilidade de bens proposta na semana passada pelo Ministério Público. Em entrevista à Folha, Miola disse que não recebeu nenhum centavo do dinheiro pago para as empresas vencedoras e que usaram o nome dele para fazer falcatruas.
Miola, de acordo com reportagem da Folha em janeiro, mora de favor em uma casa de dois cômodos e às vezes não tem dinheiro nem para comer. Santos, localizado na semana passada, também reclamou de dificuldades financeiras. A casa onde mora é simples. O irmão dele, que se identificou como ‘‘Mancha’’ disse que Santos é ‘‘um coitado’’.
O lavrador disse à Folha que está passando dificuldades financeiras. ‘‘Eu tô com a vida enrolada, sem trabalho, minha família está passando dificuldade’’, reclamou.

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