Curitiba - A Justiça Federal já decretou a prisão preventiva de 32 pessoas acusadas de participar de um esquema que enviou US$ 5 bilhões ilegalmente para o exterior entre 1996 e 2000 através das contas CC-5, teoricamente de uso exclusivo de estrangeiros residentes no Brasil. As prisões foram baseadas em denúncias formuladas por procuradores do Ministério Público (MP) federal, que investigaram um esquema montado em Foz do Iguaçu no período que envolvia bancos, casas de câmbio e laranjas para remeter o dinheiro para paraísos fiscais.
Das 32 pessoas que tiveram e prisão decretada, 11 trabalhavam no Banco Plus e 21 eram proprietárias ou funcionárias de quatro agências de câmbio em Foz do Iguaçu: Imperial, Tupi, Acaray e Real. Por enquanto ainda não foram oferecidas denúncias contra quem enviou ou recebeu dinheiro através do esquema com os operadores financeiros. ''É um trabalho volumoso, que será dividido com as sedes do MP nos outros estados brasileiros para que os procuradores rastreiem os beneficiários da lavagem de dinheiro. Nosso foco no primeiro momento são aquelas pessoas que permitiram que o esquema funcionasse'', explicou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em agosto, quando a força-tarefa que investigava o assunto encerrou suas atividades.
No momento, apenas quatro dos acusados estão sob custódia. A Justiça chegou a prender 11 acusados, que tiveram suas prisões relaxadas após prestarem depoimento. Os outros 21 acusados encontram-se foragidos. O fato de vários agentes financeiros que operavam com as contas CC-5 morarem no Paraguai dificulta o cumprimento das ordens de prisão preventiva.
No mês passado os procuradores ofereceram denúncia também contra diretores do banco Araucária, que juntamente com o Banestado foi uma das instituições financeiras que mais movimentou dinheiro através das contas CC-5. A Polícia Federal estima que além dos US$ 5 bilhões que deixaram o País através das contas CC-5, mais de US$ 19 bilhões saíram ilegalmente por Foz do Iguaçu. Um esquema que utilizava carros fortes para transportar o dinheiro pela fronteira entre Brasil e Paraguai também está sendo investigado.

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