Esquema criminoso de fiscais da Receita se repetia em Curitiba
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quinta-feira, 14 de maio de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desencadeou ontem, em Curitiba, a Operação Mercúrio, um desdobramento da Operação Publicano deflagrada em março, e que apontou um esquema mantido por empresários e auditores para pagamentos de suborno a fim de bloquear cobranças milionárias em impostos. As investigações apontam que o "modus operandi" utilizado na capital era semelhante ao descoberto em Londrina.
Ainda pela manhã, os investigadores cumpriram três mandados de prisão preventiva, seis de busca e apreensão e 14 conduções coercitivas (pessoas encaminhadas para serem ouvidas). Foram presos o auditor fiscal da Receita Estadual, Jorge de Oliveira Santos, o contador Rogério Spinardi e o empresário Walter Nicolau Filho. Conforme o Gaeco, Nicolau Filho é dono de empresas de diversos ramos, tanto na região de Londrina, quanto na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Estão sendo apurados os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e sonegação fiscal cometidos em associação pelos investigados. A Justiça acatou o pedido de sequestro de bens em relação a cinco pessoas (investigados e familiares), incluindo bloqueio de valores.
"Recebemos uma informação muito importante da Operação Publicano, mas especificamente o nome de um dos envolvidos. A partir disso, aprofundamos os trabalhos a fim de identificar se o mesmo esquema identificado em Londrina pudesse estar ocorrendo em Curitiba. Por meio desta pessoa também conseguimos chegar no contador e no empresário", explicou coordenador do Gaeco, Leonir Batisti.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da Receita Estadual, nas residências dos envolvidos, empresas e em um escritório de contabilidade. Ainda não há uma estimativa do valor movimentado pelos criminosos. "Conseguimos apurar que estas pessoas interferiam na atuação da Receita e, inclusive, na emissão de autuações mediante pagamento de propina", ressaltou Batisti. O material apreendido será analisado para avaliar a extensão dos crimes. E, conforme destacou o coordenador do Gaeco, não está descartada a hipótese de mais desdobramentos e prisões.


