Esquema CC-5 usa nomes verdadeiros
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O esquema de lavagem de dinheiro por meio das contas CC-5 (Carta-Circular nº 5) na região de Londrina utilizou laranjas para abrir empresas fantasmas. Segundo registros do Banco Central (BC), a empresa Militão & Parisoto S/C enviou ao exterior R$ 2.209.940,28 entre os anos de 1992 e 1998. A empresa funcionaria na Rua Beija-Flor, 155, Jardim Paraíso (zona norte) um dos bairros mais pobres da cidade e o responsável pelas remessas seria o empresário Romeu de Oliveira Parisoto.
Parisoto reside no local há cerca de 25 anos com a esposa Élcia Militão Parisoto e os filhos. Mas a casa não é nem foi sede de empresa e o nome do casal possivelmente foi utilizado indevidamente no esquema de lavagem de dinheiro. Aqui não teve empresa nenhuma e não sei de nada sobre esse negócio de dinheiro. O Romeu (que trabalha como caminheiro numa empresa de distribuição de material de construção, e ontem não foi encontrado pela reportagem) também nunca disse nada. Deve ter sido alguma confusão, comentou Élcia ontem à tarde, sem esconder a surpresa com o valor que a empresa fantasma teria movimentado com as contas CC-5. É muito dinheiro, assustou-se.
A dona de casa revelou que de dois anos para cá a família começou a receber correspondência no nome da Militão & Parisoto e também de outra empresa, chamada Aravel. Às vezes enchia a caixinha de correspondência, mas a gente quase nem olhava porque abria e não entendia. Então ia tudo pro lixo. Ainda hoje, de vez em quando, chega alguma coisa, afirma.
Élcia disse ainda que chegou a ir numa agência da Avenida Higienópolis (não se recordou de qual banco) e certificou-se que havia uma conta bancária no nome do marido. A gente achava estranho tanta correspondência e foi até ao banco perguntar. A moça (funcionária da agência) mostrou um documento que tinha o nome do meu marido mas a assinatura era diferente, completou.
A Militão & Parisoto S/C é apenas uma das 22 empresas e pessoas físicas de Londrina e região investigadas pela Polícia Federal há cerca de dois meses. Em todos os casos, houve remessa de dinheiro para o exterior utilizando as contas CC-5. O valor total é de aproximadamente R$ 150 milhões. O esquema das CC-5 foi revelado no ano passado por outro procurador, Celso Três, que trabalhava em Cascavel. Ele conseguiu a quebra de sigilo bancário de todas essas contas em todo o Brasil e descobriu que as remessas no período de 92 a 98 totalizaram R$ 124 bilhões. A estimativa é que metade desse dinheiro tenha origem ilegal como tráfico de drogas.
Somente em Londrina foram identificadas 14 remessas de dinheiro pelo esquema. Uma das empresas, a Mustaine Importação e Exportação, enviou ao exterior R$ 79,2 milhões mais da metade das remessas de toda a região de Londrina. Outra empresa, a Comercial Capitânea Importação e Exportação Ltda, que enviou R$ 10,5 milhões ao exterior, deveria funcionar numa sala do Edifício Autolon, no centro de Londrina. Mas no local há três anos existe uma empresa de computação e o síndico do prédio disse que nunca ouviu falar na empresa.


