Brasília - Na outra ponta, os ex-controladores do Mercantil negociavam com o Rural. O advogado da família Queiroz Monteiro, Sérgio Monteiro Cavalcanti, conta que foram mais de 20 reuniões em Belo Horizonte. Em muitas, apareceu um personagem apresentado como consultor de marketing do Rural. Era Marcos Valério. A cada reunião ele dava mais palpites, conta Cavalcanti. Mas quando ouviu a proposta de Valério - usar influência política para arrancar uma solução do BC -, a família Queiroz Monteiro se retraiu.
Se os envolvidos nos casos de liquidação dos bancos ainda tinham dúvidas sobre a força política de Valério, elas se dissiparam no dia 27 de outubro de 2003, quando ele levou um representante da família Queiroz Monteiro a um congresso socialista que acontecia no Hotel Transamérica, em São Paulo. Valério se dirigiu direto a uma suíte e o apresentou efusivamente a Delúbio; em seguida, os três entraram numa segunda suíte e lá a apresentação, um pouco menos efusiva, mais bem intimista, foi a José Dirceu.
Por último, os quatro, juntos, passaram a uma terceira suíte, onde o representante, um tanto assustado, foi apresentado ao presidente Lula como ''o cara do Mercantil''.
Em todas as apresentações, as conversas eram fluidas, como se os interlocutores soubessem muito bem do que se tratava, contou depois o representante da família Queiroz Monteiro a vários amigos.
A família Queiroz Monteiro, que antes tinha dúvidas sobre a solução política, com o tempo se assegurou de que ela era um caminho perigoso; depois convenceu-se de que ela significou o fim do caminho. Hoje o velho Armando Monteiro acha que vai demorar um tempo, ainda, para pagar os credores e limpar sua biografia e já perdeu a esperança de assistir, em vida, à venda das NTN A3. (C.M. e S.A.)

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