A Esplanada dos Ministérios estará deserta hoje, das 11 às 15 horas, com a maioria dos órgão públicos, interrompendo as atividades para que os funcionários assistam ao primeiro jogo do Brasil na Copa da França, contra a Escócia.
A idéia, no entanto, é tudo voltar ao normal assim que o juiz encerrar a partida. Mais de um terço dos ministros optou até mesmo por acompanhar o jogo no próprio ministério, e dois deles - Luiz Carlos Bresser Pereira, da Administração, e Luiz Felipe Lampreia, das Relações Exteriores - instalaram telões que transmitirão a partida aos funcionários. O Ministério da Aeronáutica foi o único a liberar os funcionários no expediente da tarde.
A intenção é a de mostrar que o governo não aderiu à tradição de que o Brasil pára durante a Copa. A maioria dos assessores insistiu ontem: ‘‘A agenda será normal; o gabinete só pára na hora do jogo.’ Não há uma instrução formal do Ministério da Administração para a dispensa dos funcionários no horário do jogo, mas este deverá ser o procedimento adotado pela maioria dos ministérios.
A jornada no Executivo é flexível - das 7 às 21 horas - o que permite, por exemplo, a um funcionário que desejar fazer um curso ou outra atividade poder compensar os horários até completar oito horas diárias. Nos dias em que o jogo da Seleção for realizado às 16 horas, os funcionários deverão trabalhar, ininterruptamente, até 15h30 para não precisar voltar ao ministério depois da partida.
Além de Bresser e Lampreia, assistirão aos jogos nos gabinetes o ministro da Agricultura, Francisco Turra; de Política Fundiária, Raul Jungmann; do Exército, Zenildo Lucena; da Marinha, Mauro César Pereira, e dos Transportes, Eliseu Padilha. O ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, fanático por futebol, tem três audiências marcadas pela manhã. Se elas atrasarem, verá o primeiro tempo da partida no gabinete e o segundo tempo na casa de um assessor.
Mesmo os ministros que optaram por assistir ao primeiro jogo em casa prometem voltar ao gabinete para despachar normalmente no período da tarde. É o caso dos ministros das Minas e Energia, Raimundo Brito, e do Planejamento, Paulo Paiva. O presidente Fernando Henrique Cardoso verá a disputa no Palácio da Alvorada e o vice-presidente Marco Maciel, no Palácio do Jaburu, acompanhado da família. A previsão é de que Fernando Henrique volte ao Planalto no período da tarde.
Os ministros da Justiça, Renan Calheiros, e da Cultura, Francisco Weffort, despacham pela manhã, assistem ao jogo em casa e, à tarde, embarcam, respectivamente, para Argentina e Portugal, para cumprir agendas oficiais. Alguns ministros ainda não definiram em que local irão torcer pela Seleção, como o da Educação, Paulo Renato Souza, e o da Casa Civil, Clóvis Carvalho.
Há, entretanto, vários ministros que estarão fora do Brasil amanhã. É o caso do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que viaja para os Estados Unidos, em missão oficial, e do ministro do Trabalho, Edward Amadeo, que está em Genebra, participando da Conferência Internacional do Trabalho. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, está em Paris, participando de um seminário sobre países emergentes, e deverá ir ao estádio assistir ao jogo. O convite foi feito pelo embaixador brasileiro na França, Marcos Azambuja.
O general Alberto Cardoso, ministro-chefe da Casa Militar, participa de uma palestra amanhã, no Rio, e, durante a partida, estará voando de volta a Brasília para uma reunião técnica sobre o futuro Ministério da Defesa. O ministro da Reforma Institucional, Freitas Neto, viaja para o Estado dele, o Piauí, para ver o jogo em casa com a família e participar das solenidades de Corpus Christi. Prometeu voltar na sexta-feira pela manhã.

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