Espírito Santo define dois PSDBs na disputa
Agora é oficial: dois PSDBs disputam as eleições no Espírito Santo. O candidato do partido a senador, Paulo Hartung, oficializou na última semana seu rompimento com o postulante da legenda ao governo, José Ignácio Ferreira, que apóia o concorrente do PFL ao Senado, Élcio Álvares (PFL), postulante à reeleição. Ignácio respondeu dizendo que sua coligação tem dois candidatos ao cargo e que manterá sua campanha aberta a ambos, sem preferência particular por ninguém. Nos meios políticos capixabas, avalia-se que o racha é definitivo e poderá expor a risco a candidatura de Ignácio.
A ofensiva de Hartung aprofundou a crise do PSDB do Espírito Santo, dividido desde a convenção de junho. Na ocasião, Hartung, ex-prefeito de Vitória, com alto índice de popularidade e até então considerado virtual candidato ao governo pelo partido, foi derrotado por Ignácio. Convidado pelo concorrente a governador para disputar o Senado, aceitou, mas começou a protestar contra o apoio de seu partido ao pefelista Alvares. O postulante do PDT ao governo, Albuino Azeredo, em segundo lugar nas pesquisas, desde então apóia Hartung e trabalha para ter seu apoio, ainda que velado.
Não faço campanha para José Ignácio, mas, quando me perguntam na rua quem é o meu candidato a governador, digo que é o do meu partido, diz Hartung. O Élcio está nos comícios da minha coligação, mas o Paulo, não, afirmou Ignácio. Nenhum dos dois parece disposto a ceder ou sequer conversar com o adversário para tentar um acordo. Ironicamente, é mais fácil para ambos dialogar com políticos de outros partidos: Ignácio, com Álvares, seu aliado (e do senador peemedebista Gerson Camata) há anos; Hartung, com a chapa do PDT, cujo candidato a vice, César Colnago, do PPS, e do grupo dissidente do PSDB capixaba, ligado ao ex-prefeito.
O governo federal e a cúpula nacional do PSDB acompanham com preocupação o conflito. Há duas semanas, em conversa no Palácio da Alvorada, Hartung e outro líder de seu grupo, o prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, comunicaram ao presidente Fernando Henrique Cardoso que era inviável sua integração a campanha de Ignácio. O presidente nada opôs a intenção da facção de ter cara própria. No dia 19, Hartung publicou artigo no jornal A Gazeta em que anunciou: fará campanha fora do palanque oficial dos tucanos no Espírito Santo, para ele ocupado prioritariamente por Alvares.
Segundo o candidato do PSDB ao Senado, o texto - A Verdade sobre as Eleições Capixabas - foi uma reação à divulgação de uma nota apócrifa, mas atribuída por ele ao grupo de Ignácio, em que era acusado de traidor. Fui obrigado a responder, afirma Hartung. No artigo, o tucano diz que todos sabem que e candidato a senador por ter sido excluído da disputa a governador, em convenção que teve pressões de toda ordem. Ele também acusa Ignácio de, após convidá-lo para ser candidato ao Senado, ter chamado Alvares, em uma eleição em que só uma vaga de senador está em jogo.
Criou-se, assim, uma situação confusa demais para a cabeça dos eleitores: o PSDB tem um candidato a governador e um candidato a senador, mas, até agora, o que se percebe é que o candidato preferencial ao Senado da coligação que o senador José Ignácio lidera não é o de seu partido, mas o candidato do PFL, afirma o ex-prefeito no artigo. Ora, nessas circunstâncias, só me resta fazer campanha para o Senado fora desse palanque, com sacrifício, perserverança e fé, além da ajuda dos amigos.
Hartung, que lidera a corrida para o Senado, com 34% das intenções de voto, contra 24% para Álvares, segundo o Ibope - diz que está apenas tocando a sua campanha. Isso significou constituir coordenação política própria, integrada pelos prefeitos que o apoiam, e contratar produção independente para os programas de televisão, a cargo da jornalista Beliza Ribeiro. A realidade me obrigou a fazer isso, que é muito penoso, afirma.
O senador José Ignácio Ferreira diz que continua a fazer, como antes, a sua campanha e a de FHC. O meu papel é agregar, não desagregar, afirma, evitando alongar-se em comentários sobre o correligionário-adversário. Montei uma coligação com dois candidatos a senador e os respeito igualmente, diz.Arquivo FolhaÉlcio Álvares está incluído na campanha e nos palanques de Hartung, que exclui Paulo. Partido mostra fissuras desde a convenção de junhoWilson Tosta
Agência Estado





