Espionagem é um desafio para o País
Grampo da PF em celular de agente da SSI serviu para tornar pública a discussão sobre os limites dos serviços de informação
O conjunto de portas espelhadas no 16º andar da antiga sede do Banco Nacional da Habitação (BNH), no Centro do Rio de Janeiro, protege um vestígio do regime militar que resiste ao tempo. Trinta e cinco anos após a criação do Serviço Nacional de Informações (SNI) pelo general Golbery do Couto e Silva, a espionagem patrocinada pelo Governo se mantém envolta numa cortina de fumaça. No escritório regional da Subsecretaria de Inteligência (SSI) no Rio, um dos alvos da investigação sobre o grampo no BNDES, trabalham cerca de 80 agentes, mas poucos sabem dizer o que eles estão fazendo.
Um grampo plantado pela Polícia Federal no celular de um analista de informações da SSI, suspeito de interceptar os telefones do BNDES, começou no mês passado a quebrar o silêncio sobre esses agentes secretos. Não que a escuta legal tenha captado provas sobre o caso, mas serviu para tornar pública a discussão sobre os limites da espionagem oficial e a falta de clareza sobre os serviços de informação no Brasil.





