Brasília - A Polícia Federal descobriu que o espião inglês que atuava no Brasil, em nome da empresa de investigação Kroll, junto com o português Tiago Verdial, trabalhava utilizando diversos nomes e documentos falsos. A área de inteligência da PF está investigando as demais identificações do oficial aposentado do serviço secreto britânico, e poderá acionar a Interpol - Polícia Criminalística Internacional - para ajudar na sua busca, apesar de não haver prisão decretada contra ele.
Depois de monitorar Verdial por vários meses, a PF encontrou indícios da participação do espião inglês no episódio envolvendo a Kroll, que foi contratada pela Brasil Telecom para investigar a Telecom Itália, como forma de conseguir subsídios para uma futura guerra judicial pelo controle acionário da operadora de telefonia. Verdial teria sido um dos profissionais envolvidos em escutas telefônicas que atingiram não apenas as empresas, mas também o ministro da Secretaria de Comunicação do governo, Luiz Gushiken, e o presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, no período em que ambos não eram funcionários da administração pública.
A PF acredita que o caso poderá ganhar grande conotação nos próximos dias, principalmente depois da análise de diversos documentos apreendidos nos últimos dias. ''Não estamos lidando com bagrinhos, mas com peixes muito grandes'', analisa um dos investigadores envolvidos na operação, que começou com a apuração de irregularidades na Parmalat. Entre supostos envolvidos existem, segundo analistas da inteligência da PF, empresários de alto escalão em empreendimentos no País.
Mas a surpresa da PF foi o aparecimento do espião inglês, identificado até agora por dois nomes: Bill e William. ''Nossas investigações estão levando a outros fatos relacionados a ele, como o uso de documentos falsos e nomes diferentes em várias ocasiões dentro do País'', confirma uma fonte da Polícia Federal. ''Após encontrarmos a identificação verdadeira, poderemos acionar a Interpol'', acrescenta a fonte.
Ontem, o português Tiago Verdial prestou o terceiro depoimento desde que foi preso, no sábado. Segundo investigadores, ele não acrescentou nada ao que já vem sendo apurado.
O advogado Antônio Marra, que defende Verdial, disse que a prisão de seu cliente é ilegal e que deverá ser contestada no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3 Região, com sede em São Paulo, por meio de um pedido de habeas corpus. Marra afirma que a Polícia Federal tem lhe negado o direito de acesso ao inquérito sob o argumento de que outras pessoas podem ser presas.

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