Apesar de esperado por aliados e adversários, o anúncio oficial da saída do governador Beto Richa começa a "azeitar" o cenário para as eleições de outubro. Procurados pela FOLHA, os principais adversários da pré-candidata Cida Borghetti (PP) na corrida ao Palácio Iguaçu não quiseram comentar o assunto, mas não viram surpresa na decisão de Richa. Os interlocutores dos pré-candidatos Ratinho Junior (PSD) e Osmar Dias (PDT) alegaram que o período é de intensa negociação com partidos e políticos e que anúncios oficiais só serão divulgados a partir do dia 7 de abril, prazo final da janela partidária na qual deputados estão livres para trocar de legenda sem o risco de punição. Entretanto, no calendário eleitoral a fase final para formação das coligações para as eleições é o dia 5 de agosto.

O deputado estadual Tercílio Turini (PPS) avaliou que também não haverá grandes modificações na AL (Assembleia Legislativa) com a saída de Richa. Ele disse acreditar que Cida continuará usufruindo da ampla base de apoio deixada pelo seu antecessor. "Eu também não acredito que teremos projetos polêmicos em pauta. A única dúvida é se será colocado em pauta reajuste do funcionalismo", disse.

Apesar do governador não ter definido em seu pronunciamento quem irá apoiar em outubro (Cida ou Ratinho), para Turini nos bastidores a costura está clara. O PP, do Ministro da Saúde Ricardo Barros, poderá firmar coligação com o PSDB, DEM, PSB, PTB, PMB e SD e caminhar com a futura governadora. Já Ratinho estaria com o PSD, PSC e o PR. "A base que se articula é essa, sem grandes alterações. Pode ser que existam ainda deputados, cinco ou seis, migrando entre esses dois grupos".

PRAGMATISMO
Para o professor de ética e filosofia política da UEL(Universidade Estadual de Londrina), Clodomiro Bannwart, o governador Beto Richa adotou uma postura pragmática e acertada ao não anunciar quem irá apoiar em outubro. "Ele tem duas cartas na bancada, duas apostas (Cida e Ratinho Jr). Até porque tem toda uma costura que será feita e esse quadro pode mudar até agosto". Ele alegou que este é um período de teste da vice-governadora para verificar se a candidatura irá ou não decolar. "Ele não tem nada a perder em ficar em cima do muro. Ele pode chegar ao Senado tendo o apoio dos dois grupos." Bannwart também não aposta numa definição de coligações neste momento, já que a mudança no tabuleiro político poderá ser estendida até final de julho com as convenções partidárias.

O analista político também considerou natural o processo de desincompatibilização de Richa ao deixar o governo para concorrer ao Senado. O fato de existirem duas cadeiras em disputa aumentaria ainda mais as chances de êxito neste caminho. "O Senado é composto, em sua maioria, por ex-governadores. Até pelo potencial político, a articulação com prefeitos. Esse lastro é significativo."

TELEVISÃO
Na costura feita pelos coordenadores de campanha, os principais grupos visam capitanear mais tempo da televisão na corrida ao governo do Estado. Se confirmadas as coligações, a pepista garantiria uma boa vantagem no tempo de televisão, ou quase cinco minutos dos 12 minutos e 30 segundos previstos para este ano. Para Bannwart, até 2014 o tempo no rádio e televisão ainda era um fator preponderante. "A reforma eleitoral trouxe mudança significativa na forma de fazer política. Essa eleição será um teste de um outro formato de mídia para chegar ao eleitor. Esse impacto só poderemos medir no término do pleito".

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