Embora o diálogo entre governo e parlamentares esteja paralisado, os especialistas rejeitam a comparação com o período pré regime militar, quando o então presidente João Goulart (1961-1964), conhecido também como Jango, foi derrubado e teve início a ditadura. De acordo com o professor da UFPR, Fabrício Tomio, "são momentos históricos bem diferentes, pois na década de 1960 havia sombras de rupturas de regime na América, como o comunismo". O pesquisador Luiz Domingos Costa disse que o golpe contra Jango ocorreu em um cenário mais conturbado do que agora. "Hoje também há uma oposição feroz e ideológica contra o governo, como em 64, mas naquela época havia incertezas gerais, como Guerra Fria e comunismo, que não se sustentam agora."
Costa defende a permanência de Dilma no cargo e considera que o impeachment não será a solução para a crise. "A década de 1960 mostrou que o golpe contra as instituições não é a melhor saída. Como comparação, em 1992, quando sofreu o processo de impeachment, Fernando Collor estava envolvido em crime, diferente do que aconteceu com Goulart e, por enquanto, com Dilma."
Para ele, Dilma pode se perder ainda mais se continuar tentando a reaproximação com o Congresso por meio do diálogo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, formalmente investigado na operação Lava Jato. "É um erro negociar com o Cunha, pois ele vai cair pela pressão popular."
O professor da UEL, Elve Cenci, afirmou que a derrota de Jango teve influências externas. "Foi um momento de muita instabilidade como hoje, mas houve outras questões históricas. Naquela época havia uma cultura de golpe muito forte em toda a América Latina." (E.F.)

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