Especialistas analisam papéis de Pitta
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de março de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - De forma indireta, o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), está conseguindo retardar os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Títulos Públicos. Ele enviou mais de 15 mil páginas de documentos para a CPI investigar, todos relativos à emissão dos títulos destinados a pagar dívidas vencidas cobradas na Justiça - os precatórios. A CPI aceitou o desafio e amarrou nos papéis de São Paulo dois de seus mais importantes assessores da área de operações bancárias.
A Prefeitura de São Paulo emitiu R$ 947 milhões em títulos destinados ao pagamento de precatórios. A operação de emissão dos papéis foi autorizada em 1994, mas a venda só ocorreu em 1995. O exame detalhado de todos os documentos enviados por Celso Pitta foi pedido por dois senadores: Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Serra (PSDB-SP). Eles temem que o excesso de papéis possa desanimar os assessores que ajudam nas investigações da CPI e alguma irregularidade possa não ser notada. Cada número de operações leva os assessores a exaustivos cálculos matemáticos.
Há tempos o relator da CPI, Roberto Requião (PMDB-PR), exigia do prefeito Celso Pitta os documentos referentes à emissão dos títulos públicos da Prefeitura de São Paulo. O relator chegou a ameaçar com o pedido de apreensão dos papéis que estavam nos arquivos da Secretaria de Finanças e da Prefeitura de São Paulo. Os documentos enviados por Celso Pitta chegaram à CPI em uma fase em que os trabalhos são, em sua maioria, de cruzamento de informações e de telefonemas e foram entregues pelo capitão da PM Carlos Meyer, chefe de gabinete do prefeito.


