Especialista prevê fim do candidato-malabarista
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
''Quem achar que é malabarista vai perder nessas eleições. Vai ficar cada vez mais difícil mentir nas campanhas''. A previsão é do jornalista Wianey Pinheiro, que trabalhou em várias campanhas eleitorais e esteve em Londrina participando do Seminário sobre Marketing Político, organizado pela Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina.
O jornalista apontou que a campanha política precisa ter três pontos para ser bem sucedida: bom candidato, bom programa de governo e boa comunicação para ampliar esses dois quesitos. Para isso, ele enumerou a televisão, o rádio, a pesquisa eleitoral, a assessoria de imprensa e os eventos como ferramentas necessárias para uma boa campanha. ''Se fala muito que a TV é o veículo mais poderoso mas se as outras não funcionarem fica difícil'', argumentou.
Para o jornalista, a pesquisa eleitoral não influencia o voto entre os eleitores. ''Ela influencia as pessoas que conduzem a comunicação da campanha porque trazem informações fundamentais para corrigir rumos'', destacou. Longe do trabalho de campanhas desde 2000 por decisão pessoal, o jornalista relembrou dois exemplos em que as pesquisas determinaram o sucesso ou não da campanha.
Ele citou as eleições municipais para prefeito em Curitiba em que o candidato Cássio Tanigushi concorria à reeleição. ''Quando foi dada a largada, ele estava absurdamente na dianteira e nesse primeiro momento a pesquisa influenciou negativamente porque criou-se um clima de já ganhou'', considera Pinheiro. Segundo ele, acreditava-se em vitória no primeiro turno e a grande surpresa ficou justamente no fato de que isso não ocorreu. ''Tivemos um segundo turno muito nervoso em virtude disso e chegamos a cogitar a possibilidade de perder. No fim, a vitória foi muito apertada'', lembrou.
Outro exemplo comentado por Pinheiro ocorreu nas eleições para senador em 1990, quando trabalhou para o candidato José Eduardo Andrade Vieira. Segundo Pinheiro, o trabalho feito com base na pesquisa foi fundamental para a vitória. ''Na largada, ele era o último colocado, com 2% da intenção de voto. Nesse caso aconteceu o inverso porque não perdemos as oportunidades para colocar o candidato na mente das pessoas'', observou. Pinheiro atribuiu o sucesso nas pesquisas ao trabalho desenvolvido pelo publicitário Sérgio Reis.
Outro direcionamento que a pesquisa pode dar na campanha é com relação à captação de recursos. ''O candidato que está bem colocado na pesquisa quantitativa tem mais facilidade de negociar colaborações'', afirmou o jornalista.
Os eventos também são de vital importância no período pré-eleitoral. ''É o momento de chegar próximo do eleitor, gastar sola de sapato para conquistá-lo'', definiu. Porém, essa ferramenta tem validade nas eleições municipais. Quando a campanha é em nível nacional, esses pequenos eventos perdem sua importância. Além de conquistar o eleitor visitado, Pinheiro salientou a importância dessas imagens na propaganda eleitoral feita na televisão. ''Esse corpo a corpo nos bairros é fundamental para captar imagens. A conversa olho no olho influencia o voto'', explicou. Acima de qualquer ferramenta, o jornalista diz que a transparência é o que realmente vai fazer a diferença nessas eleições. ''A verdade do candidato é que vai influenciar'', resumiu.


