Agência Estado
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Receita econômicaAlbert Fishlow, da Universidade de Berkeley: governo precisa investir mais em educaçãoOs desafios do Plano Real, a curto prazo, são corrigir o desequilíbrio das contas externas do País e aumentar a taxa de poupança interna. Porém, é preciso que o Brasil comece a se preocupar desde já em aumentar os investimentos em educação. É com ela - e não com programas paternalistas - que o governo Fernando Henrique Cardoso conseguirá lançar as bases para uma verdadeira redistribuição da renda. Essa é a opinião do professor Albert Fishlow, da Universidade de Berkeley, que esteve em Brasília na semana passada.
Fishlow vem com frequência ao Brasil desde 1965 e fala português - e economês - fluentemente. Em entrevista à ‘‘Agência Estado’’, ele sustenta que se a economia brasileira buscar ganhos de produtividade, a apreciação do câmbio, apontada em até 20%, seria anulada. A poupança interna precisa, em sua avaliação, crescer puxada pelas contas governamentais. É cortando seus gastos que o governo conseguirá baixar os juros e abrir caminho para tratar do que realmente interessa: financiar investimentos do setor privado e investir em educação.
AE - Que nota o senhor daria para a atual condução da política econômica?
Albert Fishlow - Eu daria dez.
AE - Essa generosidade não é porque a equipe econômica é formada, basicamente, por ex-alunos e amigos seus?
Fishlow - Não, de maneira alguma. Dou dez por uma razão simples: o Brasil está passando por seu quarto ano de crescimento. É a primeira vez que isso acontece desde a década de 70. A inflação é da ordem de 6% por ano. É um período, portanto, em que se pode levantar as questões fundamentais para o crescimento do País, para seu desenvolvimento.
AE - Essas questões, segundo o senhor defendeu em sua palestra sobre os desafios do quarto ano do Real, seriam os investimentos em educação.
AE - Exato.
AE - Mas o grande dilema do governo é como atender às demandas sociais, ao mesmo tempo em que precisa buscar o ajuste fiscal que sustentará a estabilização.
Fishlow - A maneira apropriada de investir mais em educação, no caso brasileiro, é via redução dos gastos correntes do governo. É o que o governo está tentando fazer com as reformas que estão sendo votadas pelo Congresso. Elas darão direito ao governo de demitir pessoas que não sejam mais necessárias. Esse é o começo do processo que alivia a aplicação dos recursos de um lado, e os libera para os investimentos em educação.
AE - Como o senhor avalia a distribuição de renda no País?
Fishlow - A maior redistribuição da renda aconteceu como consequência da redução da inflação, o fim do imposto inflacionário que as classes mais pobres tinham de pagar. Porém, os dados mostram que a distribuição continua desigual, ou muito desigual. Por isso, insisto: o governo tem necessidade de reduzir seus próprios gastos para aumentar a poupança pública e aplicar no setor privado, na educação e em outras despesas necessárias. Essa é a maneira de fazer uma redistribuição certa.

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