Espanholas arremataram 6 dos 7 lotes
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terça-feira, 09 de outubro de 2007
Renée Pereira<br>Agência Estado 
São Paulo - As empresas espanholas causaram frisson ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ao arrematar 6 dos 7 lotes de rodovias federais oferecidos pelo governo à iniciativa privada. Juntas, OHL e Acciona abocanharam 2.278 quilômetros (km) de estradas no Sul e Sudeste do País, de um total de 2.600 km leiloados. A única brasileira a vencer um trecho na disputa foi a BRVias, consórcio formado pela Splice (do empresário Antonio Beldi), Áurea (da família Constantino, da Gol) e Walter Torre, que levou 321 km da BR-153, a Rodovia Transbrasiliana.
No balanço geral, a maior vencedora foi a OHL, que já detinha 1.150 km de estradas em quatro concessões rodoviárias no interior de São Paulo. Com propostas agressivas, cujo deságio variou entre 39,35% e 65,43%, a companhia ganhou a disputa de cinco lotes de rodovias, inclusive das duas mais desejadas: a Regis Bittencourt (BR-116) e a Fernão Dias (BR-381). O primeiro lote leiloado foi o da Regis. Depois de 11 envelopes abertos nesse lote, a espanhola começou a mostrar a que veio. Jogou a tarifa teto de R$ 2,865 para R$ 1,364 e causou inconformismo entre os outros concorrentes.
No saguão da Bovespa, lotado de investidores, a pergunta que se repetia era como a empresa conseguiria administrar as concessões com tarifas tão baixas. Esse quadro se repetiu durante quatro lotes seguidos até que o leilão foi suspenso durante 40 minutos por decisão judicial. Entrava em cena mais uma espanhola, a Acciona, que levaria o último lote, a BR-393. A empresa recorreu à Justiça por ter sido desqualificada no dia anterior para participar do leilão por causa de uma confusão na entrega de documentos. Para levar adiante a disputa, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) verificou os envelopes, encontrou o documento trocado e deu prosseguimento ao leilão com a participação da espanhola.
Na volta da paralisação, a BRVias conseguiu arrematar a BR-153, já que a OHL não havia feito proposta para o trecho. A OHL ainda levaria mais uma estrada, a BR-116, entre o Paraná e a divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Apesar do resultado, concentrado em três companhias, o leilão foi disputado. Contou com a presença de 30 empresas, que fizeram propostas com deságio médio de 45%. Os lances variaram de R$ 0,997 a R$ 3,865. No total, a concessão criará 36 novos pedágios no País. A expectativa é a cobrança de pedágios comece apenas em meados do ano que vem. Em janeiro as empresas assinam contrato e terão seis meses para adequar as estradas a padrões mínimos de qualidade, que exigirão investimentos de R$ 250 milhões.
OHL
O vice-presidente da Obrascon Huarte Lain (OHL) Brasil, Felipe Ezequerra, afirmou que a taxa interna de retorno (TIR) das concessões das rodovias obtidas ontem pela empresa em leilão deve ficar em torno de 9%, em linha com a taxa divulgada pelo governo, de 8,95%. O executivo preferiu, porém, não dar maiores detalhes sobre cada uma das cinco concessões conquistadas.
O presidente da OHL Brasil, José Carlos Ferreira, disse que as propostas de tarifas são factíveis e adequadas à remuneração dos acionistas. Ele declarou que acredita no País, no crescimento da economia e na redução da taxa de juros.
Segundo os executivos, parte dos recursos que serão investidos nas concessões virá do BNDES e de caixa próprio. Ele lembraram que o BNDES poderá financiar até 70% do valor dos investimentos.


