Agência Estado
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Aznar (dir.) e o presidente da Câmara, Michel Temer: maior comércioBRASíLIA - O governo espanhol quer uma participação mais ativa do Brasil nas reuniões anuais de cúpula dos países ibero-americanos. A susgestão foi levada ontem pelo primeiro-ministro espanhol José María Aznar ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em encontro no Palácio do Planalto. Na reunião eles decidiram criar um mecanismo permanente de consultas prévias entre os dois governos para coordenar as posições dos dois países em fóruns internacionais.
Aznar reiterou a Fernando Henrique a proposta espanhola de fazer uma reunião de chefes de Estado da União Européia e da América Latina em 1999, apoiando a sugestão de que o Brasil deve ser a sede do encontro. Formulada inicialmente pela Espanha, em 96, a idéia foi apoiada pelo presidente francês, Jacques Chirac, durante a visita que fez ao Brasil em março.
Depois de se reunir com Fernando Henrique, Aznar visitou os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), e foi homenageado com um almoço no Ministério das Relações Exteriores. Durante o almoço, o primeiro-ministro conversou com Fernando Henrique sobre as relações econômicas entre Brasil e Espanha, que têm crescido nos últimos anos por causa da abertura da economia brasileira.
Aznar esteve em Brasília um dia depois da manifestação dos trabalhadores sem-terra, que ocupou toda a Esplanada dos Ministérios. Segundo uma fonte da embaixada da Espanha, a manifestação foi fator decisivo na preparação da agenda do primeiro-ministro, que iniciou a visita ao Brasil por São Paulo e só chegou a Brasília na noite de quinta-feira. ‘‘Quando a data da visita estava sendo definida o governo brasileiro sugeriu que seria melhor que o primeiro-ministro só tivesse compromissos em Brasília no dia 18’’, disse a fonte.
Aznar foi diplomático ao comentar, em entrevista à imprensa, a manifestação dos sem-terra. ‘‘Não sei se a manifestação foi grande ou pequena’’, esquivou-se. Ele observou que os líderes do movimento estavam sendo recebidos ontem pelo presidente e outras autoridades e contou que, na conversa do Palácio do Planalto, Fernando Henrique mencionou os cálculos do governo indicando que 12 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza com o Plano Real. Ele não quis fazer comparações com a situação agrária da Espanha. ‘‘São realidades diferentes’’, disse.
O crescimento do comércio entre Brasil e Espanha, por enquanto, tem beneficiado mais o lado espanhol. As exportações espanholas para o Brasil saíram de um patamar de US$ 100 milhões, no início da década, para US$ 900 milhões no ano passado. As exportações brasileiras, fortemente concentradas em produtos primários, permaneceram no mesmo nível, tendo registrado US$ 937 milhões em 1996. ‘‘Parece que os exportadores brasileiros de produtos não tradicionais ainda não passaram pela Espanha’’, comentou o embaixador brasileiro naquele país, Luiz Felipe Seixas Corrêa.

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