Desde que começou a vigorar o esforço concentrado para a campanha eleitoral na Assembléia Legislativa, há três semanas, os deputados do Paraná não votam matérias de relevância. Ontem foi o primeiro dia que questões polêmicas entraram em plenário. Os deputados aprovaram à toque de caixa, por 28 votos contra um, lei que anistia os infratores de multa de trânsito e uma renúncia fiscal do governo que baixa de 3% para 1% os juros para os devedores de ICMS. Nas demais sessões, realizadas todas às segundas e terça-feiras, os deputados apreciaram apenas projetos de utilidades públicas que, pelo Regimento Interno, nem precisariam passar em plenário.
A apatia do esforço concentrado e a preocupação dos deputados em seus projetos eleitorais levaram o próprio líder do governo na Casa, Valdir Rossoni (PTB), a sugerir ontem a suspensão das sessões e a concentração das votações de 15 em 15 dias. A proposta de Rossoni deve ser analisada ainda esta semana pelo presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), e pelos líderes dos partidos. Preocupados com os reflexos negativos que uma posição similar à da Câmara Federal poderia provocar junto ao eleitorado, a maioria dos líderes de bancadas tratou discordar da sugestão de Rossoni. ‘‘Seria uma desmoralização para nós’’, declarou o líder do PMDB, Orlando Pessuti.
José Maria Ferreira, que responde pelo PSDB na Assembléia, afirmou que o esforço concentrado é o mínimo que a população espera dos deputados do Paraná. Ele tem o apoio de alguns governistas como o ex-secretário da Indústria e Comércio Nelson Justus (PTB). A decisão sobre a suspensão das atividades na Assembléia até 4 de outubro não está descartada e pode ainda vingar. O líder do PFL - partido do governador - Plauto Miró Guimarães disse que a decisão precisa ser mais discutida e que os deputados, antes disso, precisam esgotar a pauta de assuntos urgentes.
Para Rossoni, o baixo quórum está prejudicando as sessões. A sua proposta reduz o trabalho, mas não mexe com os vencimentos dos deputados. Cada parlamentar recebe salário de R$ 6 mil brutos e de R$ 4 mil líquidos. Os 54 têm direito ainda a verbas de assistência e de ressarcimento. Cada uma delas calculada em aproximadamente R$ 3 mil.
Para Rossoni, o ideal mesmo seria que os deputados comparecessem em peso às sessões, honrando seus salários. ‘‘Tem muitos que querem fazer média em cima da ausência. Tenho uma relação completa dos presentes e só fiz uma sugestão, que pode ou não seguir em frente’’, observou.Arquivo FolhaEm pesoRossoni: deputados precisam honrar seus saláriosLeandro Donatti

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