As escutas telefônicas mostraram que Jaime Amato Filho conversava com Fernandinho Beira-Mar, quase toda semana, para acertar compra, embarque e desembarque de droga que iria alimentar o narcotráfico no interior do Paraná, São Paulo e mercados europeus. Os dois se tratavam como amigos íntimos. Em algumas ligações telefônicas, Amato aparece instruindo outras pessoas sobre como deveriam proceder para embarcar e entregar grandes carregamentos de droga. O embarque era feita na cidade de Capitão Bado, no Paraguai. Estes carregamentos eram lançados de avião, em operações sofisticadas que utilizavam até GPS - aparelho que fornece coordenadas de latitude e longitude.
Os principais pontos de desembarque da droga administrada por Amato eram fazendas e pistas de pouso clandestinas nas cidades paulistas de São José do Rio Preto, Atibaia e, em menor proporção, São José dos Campos. Quando estas investigações estavam em curso, Amato e Aquiles Prestes fugiram. Meses depois, a polícia já havia apurado que Amato estava escondido em uma fazenda no interior do Paraguai, próxima da região onde, se dizia na época, também estaria refugiado Beira-Mar. ‘‘Se a operação conjunta que levou à sua prisão tivesse ocorrido antes, com certeza a polícia teria chegado muito perto de Beira-Mar’’, sentencia o deputado Padre Roque Zimmerman (PT-PR), que foi o sub-relator para o Paraná da CPI federal.
O cruzamento das informações da polícia paranaense, CPI paulista do narcotráfico, o Ministério Público e a Polícia Federal, levaria à alguns nomes comuns. Alessandro Cardoso dos Santos, também conhecido por Sandro, apareceu várias vezes nas conversas telefônicas. Ele
controlava as fazendas que recebiam drogas na região de Atibaia e tinha ligações com o esquema de distribuição de drogas na região de São José do Rio Preto. A partir das conversas telefônicas dos três traficantes, a Polícia Federal descobriu que a quadrilha utilizaria os portos de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Paranaguá (PR) e Vitória (ES), para enviar drogas para a Europa.
Este mesmo esquema de saída de drogas acobertaria o tráfico internacional de armas, que chega nos portos e é levada para o Paraguai principalmente através de Foz do Iguaçu (PR). ‘‘Parte destas armas é levada, posteriormente, para a Colômbia. Ali, são trocadas com as forças guerrilheiras pela cocaína que será trazida ao Brasil’’, revela o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), um dos sub-relatores da CPI federal. (P.S.M)

mockup