Escuta telefônica já derrubou até ministro
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sábado, 15 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Em 2000, uma escuta telefônica com autorização judicial trouxe à tona o escândalo na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e levou à demissão do então ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Também mostrou um suposto envolvimento do hoje deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou à presidência do Senado e depois ao mandato, evitando a cassação.
No mesmo ano, um rastreamento descobriu cinco grampos em telefones dos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Edson Vidigal e José Arnaldo da Fonseca. No fim do ano, gravações da Polícia Federal revelaram ligações do deputado Pinheiro Landim (sem partido-CE) com o traficante Leonardo Dias Mendonça.
Militares - Em 1961, o então vice-presidente João Goulart foi vítima de um grupo contrário à sua posse, no lugar de Jânio Quadros, que havia renunciado. Em vários dos locais onde se instalava, haviam escutas clandestinas. Uma conversa sua com o senador Amaral Peixoto, mantida em um telefone público, foi gravada.
Soube-se depois que o autor da operação foi o futuro presidente Ernesto Geisel, que também não escapou dos grampos. Em seu gabinete no Palácio do Planalto foi encontrado, em 1976, um microfone poucos meses depois de ter sido escolhido para governar o País.
O mais precavido dos presidentes militares foi o general Emílio Garrastazu Médici, que fazia varreduras costumeiras. Mesmo assim, um dia encontrou uma escuta em sua sala. Em 1983 foi a vez do presidente João Baptista Figueiredo - que por muitos anos comandou o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). Ele encontrou um grampo em seu gabinete, possivelmente instalado por seus inúmeros inimigos internos.
Já de volta aos governos civis, o problema continuou. Em 1987, por exemplo, os senadores Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas foram grampeados pelos arapongas do SNI. O presidente Itamar Franco teve uma conversa com uma jornalista gravada por arapongas, que entregaram a fita para um jornal fluminense.
Depois disso, o presidente da Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj), José de Castro Ferreira, foi grampeado quando conversava com o presidente da República. Nesses casos, ninguém foi punido. A escuta clandestina já foi usada até no futebol. Em 1997, um juiz e dois dirigentes foram punidos depois que uma fita revelou que os resultados dos jogos estavam sendo armados.


