Escritórios de advocacia receberam R$ 21 mi sem prestar serviços
Curitiba Quatro escritórios de advocacia foram alvo de buscas e apreensões durante a 18ª fase da Operação Lava Jato, sendo dois deles em Curitiba, um em São Paulo, e outro em Porto Alegre. Segundo as investigações, eles receberam parte do dinheiro repassado pela Consist dentro do esquema. Ao todo, conforme apontaram os investigadores, foram R$ 21 milhões movimentados em pagamentos aos escritórios, entre 2010 e 2015.
Deste total, o escritório de advocacia Guilherme Gonçalves e Sacha Reck Advogados, com sede em Curitiba, recebeu R$ 4,65 milhões entre setembro de 2010 e janeiro de 2013 diretamente da Consist Software, e R$ 423 mil entre janeiro e abril de 2012. Uma outra empresa do grupo Consist, a SWR Informática, fez repasses no valor de R$ 1,2 milhão, entre fevereiro de 2013 e janeiro do ano passado.
A sociedade foi desmembrada no final do ano passado, e o especialista em Direito Eleitoral, Guilherme Gonçalves passou a atuar no escritório Gonçalves, Razuk, Lemos e Gabardo Advogados, que recebeu da Consist Business Software R$ 957 mil entre maio de 2014 e março deste ano, a título de honorários advocatícios.
"O que nos parece é que podemos estar diante de um novo modelo dentro da Lava Jato. Nós tivemos empresas de consultoria, desvios através de empresas de publicidade e propaganda, empresas de fachada de forma geral e de uma forma consistente aparecem escritórios de advocacia. Então essa é uma frente a ser explorada", afirmou o delegado da PF, Igor Romária de Paula.
Gonçalves atuou na campanha da senadora Gleisi Hoffmann (PT) em 2008, 2010 e 2014; na campanha do senador Roberto Requião (PMDB) ao governo do Estado em 2006; e também coordenou a campanha de Ratinho Júnior (PSC) à Prefeitura de Curitiba, no ano de 2012. De acordo com os investigadores, os pagamentos aos escritórios foram feitos a pedido do ex-vereador de Americana (SP) Alexandre Romano (PT), preso durante a operação de ontem.
"Temos faturas emitidas para os escritórios de advocacia que eram ideologicamente falsas porque um dos próprios diretores da Consist Software informou que estes escritórios jamais prestaram serviços advocatícios para a empresa. Eles (escritórios) podem ter recebido por serviços prestados a terceiros. É algo que ainda será alvo de investigação" disse o delegado da PF, Márcio Adriano Anselmo.
Em nota, oficial, o advogado Guilherme Gonçalves informou que "prestou serviços de advocacia, consultoria e assessoria jurídica devidamente documentados para a empresa, conforme está firmado em contrato". O jurista ainda ressaltou que está em total cooperação com a polícia na investigação, tendo facultado acesso a todos os documentos relativos a essa prestação de serviço. A nota ainda destaca que "o escritório GRC Advogados, liderado pelo Dr. Sacha Reck, e do qual o advogado Guilherme Gonçalves não faz parte, não tem qualquer ligação com a Consist, visto que a prestação de serviços sempre foi feita diretamente por ele e sua equipe".
A reportagem tentou contato por telefone com a GRC Advogados mas não obteve retorno até o fechamento da edição. (R.C.J.)





