Escritório de filho de Justus está entre denunciados
Curitiba - Entre as 17 empresas envolvidas em supostas irregularidades na gestão Papin (2001 a 2004), em Ivaiporã, está o escritório de advocacia Castelo Branco Rocha & Cordeiro Justus, de Curitiba. Um dos sócios da empresa é o advogado Nelson Cordeiro Justus, que é filho do presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Nelson Justus (DEM), aliado político de Papin. O promotor de Justiça Marco Aurélio Tavares afirmou que a empresa foi contratada com dispensa de licitação indevida e que não houve prestação de serviços, embora os advogados tenham recebido mais de R$ 30 mil: ''A empresa foi contratada para defender o município no TJ, STF e STJ, mas nós não encontramos nenhuma prestação de serviço''. Tavares também contesta a justificativa do Executivo para dispensar a licitação - experiência técnica do escritório. ''Os advogados (à frente do escritório) tinham acabado de obter o registro da OAB'', afirma.
Procurado, Cordeiro Justus qualificou a denúncia de ''criminosa'' e encaminhou por fax à FOLHA cópia de relatórios anuais das consultas realizadas ao Executivo entre 2002 e 2004. Teriam sido formulados 39 pareceres durante a vigência do contrato. São, na maior parte, consultas relacionadas a pagamento de impostos e questões trabalhistas. O advogado disse ainda lamentar que o MP esteja ''levantando fatos já prescritos'' e que estaria sendo vítima de ''ataques'': ''É um ato de má fé em ano político para destruir a minha imagem, a imagem do meu escritório e atacar a imagem do meu pai''.
Não é a primeira vez que a relação entre o deputado estadual Nelson Justus e seu aliado político se torna alvo do MP. Na última terça-feira, a FOLHA revelou que pelo menos três pessoas ligadas a Papin foram nomeadas para cargos comissionados na presidência da AL: Cristiane, filha de Papin; Gerson, marido de Cristiane; e Carlos Roberto, um ex-funcionário de Papin. No caso, o MP investiga se houve improbidade administrativa, ou mesmo peculato, já que os três, embora nomeados para serviços internos na AL, em Curitiba, nunca saíram de Ivaiporã no período. Eles alegam que eram assessores do parlamentar na cidade. (C.S. e M.R.M.)





