Curitiba - Um protesto contra a alteração da grafia do nome do município de Foz do Iguaçu para Foz do Iguassu, já aprovada pela Câmara de Vereadores, deve chegar aos tribunais. O escritor, poeta, professor e integrante da Academia de Letras do Extremo-Oeste do Paraná, Nilton Bobato, prepara ação popular contra essa mudança. ''Há uma unanimidade entre os professores de português de que não deve haver alteração'', disse.
A intenção é entrar com a ação hoje ou no início da próxima semana pedindo liminar que impeça o prefeito Paulo Mac Donald Ghisi (PDT) de sancionar o projeto. O prefeito já se declarou favorável à mudança, mas Bobato, que também é funcionário da prefeitura, espera convencê-lo do contrário.
O vereador Djalma Pastorello (PSDB), autor do projeto, argumenta que a grafia Iguassu é um retorno às origens da cidade, pois assim consta nos documentos de sua criação, em 1914. A mudança para a forma com ''c'' cedilhado veio somente em 1945, com o acordo entre as academias de Letras brasileira e de Portugal. Além disso, acredita que a cidade, essencialmente turística, terá muito a ganhar, pois 146 dos 198 países reconhecidos pelas Nações Unidas não possuem o ''ç'' em suas escritas.
Bobato vai argumentar na ação que a Câmara de Vereadores não tem poderes para legislar sobre o nome da cidade. ''Só uma lei estadual poderia alterá-lo'', argumentou. Além disso, salientou que a ortografia é regida por lei federal. Segundo ele, o decreto-legislativo 54/95 aprovou o texto do acordo ortográfico assinado em 16 de dezembro de 1990 entre os países de língua portuguesa, que tinha começado a ser construído em 1945. Para ele, a mudança é ''deseducativa''. ''Vamos criar confusão na cabeça das crianças.''
Muitos hotéis da cidade já utilizam os dois ''s'' em seus folhetos de divulgação, pois os hóspedes são de várias nacionalidades. Empresas de tecnologia de informação também desenvolveram ferramentas que facilitam o uso do ''c'' cedilhado em computadores. ''Se não houver mudança não prejudica o setor, mas se houver facilita e agrega valor'', afirmou o presidente do Sindicato dos Bares e Restaurantes de Foz do Iguaçu, Luiz Antonio Rolim de Moura. Mas ele ressaltou que o mais importante é o interesse da comunidade. ''Só isso (turismo) não pode prevalecer.''

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