Curitiba - Precisou que o governador Roberto Requião (PMDB) saísse do Brasil para que a escola de Governo voltasse a funcionar normalmente, sendo transmitida sem riscos para a Rádio e Televisão Educativa (RTVE). A reunião semanal do secretariado foi conduzida ontem pelo governador em exercício Orlando Pessuti (PMDB) - que limitou-se a defender a necessidade de transmissão televisiva das reuniões para prestação de contas à comunidade.
''Nas duas últimas reuniões tivemos atropelos porque o Requião foi cerceado na sua livre expressão. Agora ele está em Cuba e vai depois para os Estados Unidos. A escola não pode ser suspensa nesse período porque ela serve para reunir a equipe de governo, traçar linhas de ação e prestar contas das ações que o governo desenvolve'', considerou.
Há 15 dias, Requião tem tornado as reuniões do secretariado em fatos noticiosos. Dia 15, ele fez a reunião normalmente. Mas as transmissões eram mudas, com uma faixa escrito ''censurado por determinação do desembargador Edgard Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4 Região''. Paralelamente, o Canal 21 (TV Mercosul) transmitia sem cortes a reunião - com críticas aos inimigos de Requião, à imprensa e às instituições (Ministério Público, procuradores e juízes). Em seu despacho, Lippmann não censurou a aparição de Requião. Apenas exigiu que o governador não usasse a RTVE para fins políticos (como atacar inimigos, por exemplo).
No dia 22, o governador teria que colocar a cada 15 minutos um pronunciamento da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) fazendo críticas ao estilo Requião. A reunião foi aberta, encerrada e as transmissões da RTVE foram suspensas. Requião argumentou que a programação da RTVE estava inviabilizada com a determinação judicial. Os desentendimentos dele e da então procuradora Jozélia Nogueira por conta do que ele chama de ''censura prévia'' fizeram com que ela pedisse demissão do cargo.
Ontem, tudo foi diferente. A reunião durou duas horas e foi marcada pela assinatura de convênios com prefeitos. Pessuti e os secretários Gilberto Martin (Saúde) e Lygia Pupatto (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) assinaram também um termo de compromisso com a Liga Paranaense de Combate ao Câncer.
Pessuti evitou falar em estilos de condução de reuniões. ''Haverá sempre quem critique a escola de governo de Requião ou de Pessuti. A divergência, que existe dentro do governo, também existe na sociedade e temos que conviver com ela.''

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