Os políticos que pretendem disputar um mandato no ano que vem mas ainda não têm certeza sobre qual partido concorrer têm 40 dias para se decidir. Termina em 3 de outubro o prazo para que os sem-partido ou insatisfeitos com suas legendas apontem uma opção partidária se quiserem ser candidatos em 1998. Quem não se definir, fica automaticamente excluído do páreo. A exigência do prazo legal trará o ex-presidente Itamar Franco de volta ao Brasil no dia 20 de setembro.
Itamar desembarca às vésperas da convenção nacional do PMDB que vai decidir se o partido terá ou não candidato próprio à presidência da República. Mas setores da oposição no Congresso ainda tentarão a última manobra para facilitar a vida do avulso mais ilustre na corrida pelo Palácio do Planalto. O bloco das esquerdas tentará na terça-feira o apoio dos líderes governistas para esticar o prazo de filiação até dezembro.
A iniciativa está condenada ao fracasso. ‘‘Isso nós não aceitaremos’’, antecipou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), ao salientar que não se pode punir com mais rigor no prazo aqueles que estão filiados a um partido.
Na dúvida, o PMDB não é a única opção do ex-presidente, nem Itamar é a única alternativa de candidatura examinada pelas oposições e pelos descontentes da ala governista. ‘‘Também trabalhamos com Ciro Gomes na cabeça’’, diz o deputado Domingos Leonelli (PSDB-BA), que se juntou ao senador Roberto Freire (PPS-PE) para articular a criação de uma nova legenda a partir da estrutura partidária do PPS.
O movimento inclui descontentes do PSDB, PT, PSB, PMDB e até do PTB. ‘‘É a centro-esquerda que não discute a conquista do Plano Real, mas exige desenvolvimento, emprego e investimento no social’’, resume Leonelli. Ele diz que o esforço é para reunir na nova sigla Itamar Franco, Ciro Gomes e o governador do Paraná, Jaime Lerner.
‘‘Definitivamente, eu não serei vice de ninguém’’, avisa o ex-governador do Ceará, para pôr fim aos rumores de uma dobradinha Itamar/Ciro. Filiado ao PSDB, Ciro Gomes só admite deixar o ninho em nome de um projeto alternativo para o País. ‘‘Posso ir para o PPS, para o PSB ou para um partido novo, desde que seja a etapa de um projeto positivo em que a crítica ao governo seja apenas uma consequência, e não a essência’’, diz Ciro.
Preocupado, o presidente Fernando Henrique já mandou convidar Ciro para uma conversa no Palácio da Alvorada. ‘‘Estou disposto a ir quando o presidente quiser, mas prefiro que isto seja mediado pelo Tasso’’, disse. Referiu-se ao governador do Ceará, Tasso Jereissati, que está em viagem ao exterior e só voltará ao Brasil no dia 28.
O governador Jaime Lerner deixou o PDT e está sem partido. Só que a cúpula do PFL já dá a sua filiação como certa. Também conta com a adesão do governador do Tocantins, Siqueira Campos, que deve ingressar no partido levando consigo seis deputados estaduais. O líder Inocêncio Oliveira acredita que até 3 de outubro sua bancada saltará de 108 para pelo menos 120 deputados. A contabilidade inclui o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos.

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