Agência Estado
O ministro da Justiça, Renan Calheiros, disse ontem que o governo federal espera que a crise interna seja encerrada com a nomeação do novo diretor-geral da Polícia Federal, delegado Agílio Monteiro Filho. O ministro e o novo diretor se reuniram ontem por cerca de 30 minutos, no Ministério, e estiveram posteriormente também com o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Durante a reunião com Monteiro, Calheiros definiu as linhas de trabalho da Polícia Federal: isenção, investigação e restabelecimento da harmonia e da hierarquia dentro da PF.
O estilo discreto e conciliador do delegado Agílio Monteiro Filho, de 52 anos, que era o superintendente da PF em Minas Gerais, é admirado pelos subordinados de Minas. ‘‘Se adotar em Brasília o mesmo estilo da administração em Minas, certamente ele conseguirá grandes resultados’’, comentou o presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Minas Gerais, Juvercino Guerra Filho. Para Guerra, que representa cerca de 600 policiais do Estado, Agílio é um homem que ‘‘trabalha em silêncio’’.
Segundo ele, uma das principais virtudes do delegado é ‘‘saber usar a pessoa certa no lugar certo’’. Quando assumiu a Superintendência, em 1993, Monteiro Filho permitiu a agentes, investigadores e peritos escolher a área em que preferiam atuar. A essa medida, que teve por objetivo aproveitar melhor o potencial de cada policial, é atribuído o aumento dos índices de apreensão de drogas e solução dos casos.
O bom relacionamento com a categoria foi selado em 1994, durante a greve por reajuste salarial que durou 54 dias. ‘‘Tivemos um relacionamento de alto nível’’, lembrou Guerra. ‘‘Ele deixa a porta do gabinete sempre aberta e trata todos do mesmo jeito.’’ O sindicalista ressaltou como fundamental a independência do superintendente dos grupos que hoje dividem a corporação. O fato de ser um funcionário de carreira dentro da PF é outro motivo que inspira o respeito dos policiais mineiros.
Monteiro Filho entrou para a PF como agente, em 1973. Tornou-se delegado concursado em 1982, quando foi transferido para o Rio. Em 1983, retornou a Belo Horizonte para assumir a Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), onde esteve até 1988.

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