Escolha do candidato divide oposição
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domingo, 11 de novembro de 2001
João Domingos<br>Agência Estado - De Brasília 
Unida ou desunida, historicamente a oposição brasileira tem tido pouca oportunidade de vitória na disputa pela Presidência da República. Os resultados das três eleições presidenciais realizadas depois da redemocratização do País mostram que a maior chance ocorreu em 1989, quando Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, disputou o segundo turno com o vitorioso Fernando Collor, e perdeu por uma diferença de 4 milhões de votos.
Naquela, que foi a primeira eleição realizada depois do fim do regime militar, todo mundo esteve dividido no primeiro turno. Lula e Leonel Brizola, do PDT, que disputaram por chapas diferentes, tiveram quase 23 milhões de votos, 2 milhões a mais que Fernando Collor, do nanico PRN, o primeiro colocado. Os candidatos dos partidos que hoje estão no poder com Fernando Henrique Cardoso PSDB, PMDB, PFL e PPB obtiveram, juntos, cerca de 17,5 milhões, ou 5,5 milhões de votos a menos do que a dupla Lula e Brizola.
Em 1994, porém, a situação inverteu-se completamente. Fernando Henrique, com o apoio do PFL apenas, obteve 54,27% dos votos, o dobro dos 27,04% de Lula, apoiado pelos mesmos partidos da eleição anterior: PSB, PC do B, PV e PSTU. Leonel Brizola, do PDT, teve apenas 3,18% dos votos, menos da metade de Enéas Carneiro, do Prona, que obteve 7,38%. Orestes Quércia, do PMDB, conseguiu 4,38%.
Na eleição seguinte, quase toda a esquerda uniu-se. Brizola foi candidato a vice de Lula. Mas a aliança não deu resultados em votos. Fernando Henrique teve 53,06%, Lula e Brizola 31,71% e Ciro Gomes, do PPS, 10,97%. Mesmo que Ciro tivesse se unido a Lula, Fernando Henrique teria sido o vencedor, também no primeiro turno de votação, com cerca de 13% a mais dos votos.
Esse é o dilema dos dirigentes dos partidos de oposição para as próximas eleições. Lula diz que vai insistir na união de todos os partidos. ''Daqui até março vou trabalhar para levar o PT a aceitar as alianças amplas'', diz Lula. ''Vou pressionar o partido até o máximo de tensão que conseguir impor.''
Para Lula, o resultado das pesquisas lhe dão razão. Segundo ele, há um ano foi advertido pelo diretor do Instituto Vox Populli, Marcos Coimbra, de que em três meses seria ultrapassado por Ciro Gomes. ''Nada disso aconteceu; acho que dá para unir todo mundo'', diz Lula.
As esperanças do líder petista, porém, não são compartilhadas pelos outros partidos de oposição. O senador Roberto Freire (PE), presidente nacional do PPS, ataca o PT. ''Quem está patinando e não sai do lugar é Lula, que disputou três eleições e perdeu todas''. Freire diz que não quer a unidade das oposições. ''Isso é um grave equívoco''.
Para o pré-candidato do PSB à Presidência, Anthony Garotinho, não será possível Lula unir as oposições no primeiro turno. No segundo turno, talvez a situação mude. Já o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, do PSB, acha que o PT fala muito em unidade, mas não a quer. Diz que já conversou com os dirigentes petistas e percebeu que nenhum deles admite a união.
Uma locução atribuída ao Barão de Irararé diz que a ''esquerda só consegue se unir na cadeia''. O deputado Fernando Gabeira (PT-RJ) acha que nem isso é possível. ''A esquerda não se une nem na cadeia'', afirma. (Com Gilse Guedes)


