Escolha de vices vira “carta na manga” para partidos atraírem apoios
Pré-candidatos à sucessão de Ratinho Junior ainda costuram acordo para compor suas chapas
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domingo, 12 de julho de 2026
Pré-candidatos à sucessão de Ratinho Junior ainda costuram acordo para compor suas chapas

Curitiba - Quatro nomes têm colocado com força suas pré-candidaturas ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano, mas a definição dos vices deverá ficar para o período de convenções partidárias, entre os dias 20 deste mês e 5 de agosto. Por enquanto, a vaga para concorrer a vice funciona como uma “carta na manga” das pré-candidaturas, que tentam atrair apoios partidários – e com eles o apoio de prefeitos, deputados, vereadores e outras lideranças que podem influenciar o voto nos municípios.
O fiel da balança no período de pré-campanha tem sido o ex-prefeito de Curitiba e ex-secretário do Desenvolvimento Sustentável Rafael Greca. Pré-candidato ao governo pelo MDB, Greca é sondado para concorrer como vice do deputado federal Sando Alex (PSD), escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para sua sucessão. O ex-prefeito nega a possiblidade e garante que concorrerá ao governo.
A posição de Greca poderá gerar efeitos negativos para o partido do governador. O nome de Sandro Alex ainda é pouco conhecido em Curitiba, maior colégio eleitoral do Estado, e teria mais aceitação ao lado de Greca, que deixou a prefeitura com um bom índice de aprovação. Além de aumentar a aceitação de seu candidato na capital, Ratinho Junior manteria em sua base o MDB, que tem 30 prefeitos no estado e apoiou sua reeleição em 2022.
Outro problema é a possibilidade de um racha interno no PSD. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), já declarou que vai trabalhar para o partido atrair Greca para a chapa de Sandro Alex. Pimentel teria certo constrangimento em apoiar uma chapa com a jornalista Cristina Graeml, sua adversária no segundo turno das eleições municipais em 2022 pelo PMB. Ela se filiou ao PSD com a promessa de Ratinho Junior de disputar um cargo majoritário, mas enfrenta resistências para se candidatar ao Senado por parte do Republicanos, que tem como pré-candidato o deputado estadual Alexandre Curi.
Outra união ainda cogitada é entre Greca e Curi. O ex-prefeito e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná chegaram a conversar sobre a formação de uma chapa para concorrer ao governo, mas deixaram o PSD de Ratinho Junior em abril, diante da indefinição do governador para indicar seu sucessor.
Do outro lado, o senador Sergio Moro (PL) tem como preferido para sua chapa o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson José de Vasconcelos, cotado para atuar como um “supersecretário” em uma eventual gestão do ex-juiz da Lava Jato. Moro, no entanto, ainda tenta atrair partidos para sua candidatura – como a federação União Progressista (com União Brasil e PP) – e pode ser obrigado a desistir de uma “chapa pura”, apenas com filiados ao PL.
O deputado estadual Requião Filho (PDT), que deverá atrair os votos da esquerda na eleição para o governo, é outro que vem conversando para definir seu vice. Com o possível apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado poderá ter como vice algum candidato do PT, do PV, do PCdoB ou do PSB.
“Estamos em um período de articulação, até porque as pesquisas espontâneas mostram que 70% do eleitorado ainda não definiu o seu voto. Isso abre uma possibilidade significativa para que os candidatos ao governo deem atenção à escolha do seu vice, até porque o papel do vice é importante no sentido de puxar votos para o titular da vaga, ou pelo menos para que ele não tenha uma rejeição que traga perda de votos”, diz o cientista político e professor universitário Doacir Quadros.
No Paraná, a escolha deverá ser tomada com base em ganhos eleitorais, avalia o professor. “A escolha para vice pode ser partidária e ideológica, pelo que eu observo entre os candidatos no Paraná, a tendência é que prevaleça uma escolha partidária. Porque os candidatos podem ampliar os recursos para sua campanha, como fundo eleitoral e tempo de propaganda. Aumentando essa capacidade de recursos eleitorais, têm mais chance de sucesso. O Requião Filho também tem um capital político, uma certa popularidade, e imagino que tende a escolher o seu vice dentro de uma perspectiva mais ideológica."
Nesse sentido, os pré-candidatos deverão estudar o terreno para obter o máximo possível de vantagem na escolha dos vices, conquistando mais apoios e garantindo palanque nos municípios. “Rafael Greca e Sergio Moro já possuem um capital eleitoral em Curitiba. Estrategicamente, eles tendem a escolher os seus vices no intuito de conseguir mais votos e mais recursos para a campanha."
A definição do vice, para o cientista político, poderá ter mais peso na campanha de Sandro Alex. “É o pré-candidato que tem de fato que trabalhar na escolha do seu vice. Aí sim há a necessidade de um vice que ajude a conquistar mais votos e aumentar a capacidade da campanha. Somente o apoio do Ratinho Junior talvez não seja suficiente para o Sandro Alex. E aí reforça talvez a possibilidade de ter uma vice como a Cristina Graeml, que teve uma boa projeção eleitoral na última eleição.”
Cientista político e professor da PUCPR em Londrina, Mário Sérgio Lepre diz que o objetivo no momento é atrair partidos e lideranças para a pré-candidatura, e que a definição dos vices entra nessa disputa. “É necessário os partidos se definirem, já começarem a caminhar em direção a determinada candidatura, e aí então formar coligações para as eleições majoritárias. Então, se discute vice agora tentando atrair partidos. Ainda está muito nebuloso o caminho”, afirma. “Tem o MDB que pode vir com os Republicanos, pode ser que o PSD consiga a União Progressista, mas ainda são discussões. Enquanto não tiver uma definição partidária, quais partidos vão apoiar quem, é mais difícil falar de vices.”


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.


