Curitiba - Quatro nomes têm colocado com força suas pré-candidaturas ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano, mas a definição dos vices deverá ficar para o período de convenções partidárias, entre os dias 20 deste mês e 5 de agosto. Por enquanto, a vaga para concorrer a vice funciona como uma “carta na manga” das pré-candidaturas, que tentam atrair apoios partidários – e com eles o apoio de prefeitos, deputados, vereadores e outras lideranças que podem influenciar o voto nos municípios.

O fiel da balança no período de pré-campanha tem sido o ex-prefeito de Curitiba e ex-secretário do Desenvolvimento Sustentável Rafael Greca. Pré-candidato ao governo pelo MDB, Greca é sondado para concorrer como vice do deputado federal Sando Alex (PSD), escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para sua sucessão. O ex-prefeito nega a possiblidade e garante que concorrerá ao governo.

A posição de Greca poderá gerar efeitos negativos para o partido do governador. O nome de Sandro Alex ainda é pouco conhecido em Curitiba, maior colégio eleitoral do Estado, e teria mais aceitação ao lado de Greca, que deixou a prefeitura com um bom índice de aprovação. Além de aumentar a aceitação de seu candidato na capital, Ratinho Junior manteria em sua base o MDB, que tem 30 prefeitos no estado e apoiou sua reeleição em 2022.

Outro problema é a possibilidade de um racha interno no PSD. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), já declarou que vai trabalhar para o partido atrair Greca para a chapa de Sandro Alex. Pimentel teria certo constrangimento em apoiar uma chapa com a jornalista Cristina Graeml, sua adversária no segundo turno das eleições municipais em 2022 pelo PMB. Ela se filiou ao PSD com a promessa de Ratinho Junior de disputar um cargo majoritário, mas enfrenta resistências para se candidatar ao Senado por parte do Republicanos, que tem como pré-candidato o deputado estadual Alexandre Curi.

Outra união ainda cogitada é entre Greca e Curi. O ex-prefeito e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná chegaram a conversar sobre a formação de uma chapa para concorrer ao governo, mas deixaram o PSD de Ratinho Junior em abril, diante da indefinição do governador para indicar seu sucessor.

Do outro lado, o senador Sergio Moro (PL) tem como preferido para sua chapa o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson José de Vasconcelos, cotado para atuar como um “supersecretário” em uma eventual gestão do ex-juiz da Lava Jato. Moro, no entanto, ainda tenta atrair partidos para sua candidatura – como a federação União Progressista (com União Brasil e PP) – e pode ser obrigado a desistir de uma “chapa pura”, apenas com filiados ao PL.

O deputado estadual Requião Filho (PDT), que deverá atrair os votos da esquerda na eleição para o governo, é outro que vem conversando para definir seu vice. Com o possível apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado poderá ter como vice algum candidato do PT, do PV, do PCdoB ou do PSB.

PUXADOR DE VOTOS

“Estamos em um período de articulação, até porque as pesquisas espontâneas mostram que 70% do eleitorado ainda não definiu o seu voto. Isso abre uma possibilidade significativa para que os candidatos ao governo deem atenção à escolha do seu vice, até porque o papel do vice é importante no sentido de puxar votos para o titular da vaga, ou pelo menos para que ele não tenha uma rejeição que traga perda de votos”, diz o cientista político e professor universitário Doacir Quadros.

No Paraná, a escolha deverá ser tomada com base em ganhos eleitorais, avalia o professor. “A escolha para vice pode ser partidária e ideológica, pelo que eu observo entre os candidatos no Paraná, a tendência é que prevaleça uma escolha partidária. Porque os candidatos podem ampliar os recursos para sua campanha, como fundo eleitoral e tempo de propaganda. Aumentando essa capacidade de recursos eleitorais, têm mais chance de sucesso. O Requião Filho também tem um capital político, uma certa popularidade, e imagino que tende a escolher o seu vice dentro de uma perspectiva mais ideológica."

Nesse sentido, os pré-candidatos deverão estudar o terreno para obter o máximo possível de vantagem na escolha dos vices, conquistando mais apoios e garantindo palanque nos municípios. “Rafael Greca e Sergio Moro já possuem um capital eleitoral em Curitiba. Estrategicamente, eles tendem a escolher os seus vices no intuito de conseguir mais votos e mais recursos para a campanha."

A definição do vice, para o cientista político, poderá ter mais peso na campanha de Sandro Alex. “É o pré-candidato que tem de fato que trabalhar na escolha do seu vice. Aí sim há a necessidade de um vice que ajude a conquistar mais votos e aumentar a capacidade da campanha. Somente o apoio do Ratinho Junior talvez não seja suficiente para o Sandro Alex. E aí reforça talvez a possibilidade de ter uma vice como a Cristina Graeml, que teve uma boa projeção eleitoral na última eleição.”

Cientista político e professor da PUCPR em Londrina, Mário Sérgio Lepre diz que o objetivo no momento é atrair partidos e lideranças para a pré-candidatura, e que a definição dos vices entra nessa disputa. “É necessário os partidos se definirem, já começarem a caminhar em direção a determinada candidatura, e aí então formar coligações para as eleições majoritárias. Então, se discute vice agora tentando atrair partidos. Ainda está muito nebuloso o caminho”, afirma. “Tem o MDB que pode vir com os Republicanos, pode ser que o PSD consiga a União Progressista, mas ainda são discussões. Enquanto não tiver uma definição partidária, quais partidos vão apoiar quem, é mais difícil falar de vices.”

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