Escolha de relator é adiada de novo
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quinta-feira, 04 de outubro de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - Sem conseguir nomes afinados com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para relatar o terceiro processo contra o peemedebista, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), adiou para terça-feira a escolha do nome de um senador para o cargo. O senador disse que ''fez algumas consultas'' entre os integrantes do conselho, mas até agora não obteve respostas positivas ao convite.
Quintanilha admitiu, porém, que não convidou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para a relatoria, apesar de o petista já ter publicamente manifestado o desejo de relatar o processo. Suplicy é considerado por aliados de Renan como ''independente'', mesmo sendo integrante da base aliada do governo, o que poderia prejudicar a defesa de Renan.
''Eu não vou revelar nomes (que foram convidados) para evitar especulações desnecessárias. A grande maioria das recusas é em razão do acúmulo de tarefas dos senadores.''
O peemedebista justificou as dificuldades para a escolha com o argumento de que não pode convidar senadores do DEM e PSDB para a relatoria, uma vez que os partidos são autores do processo contra Renan. Disse que também não vai convidar parlamentares do PMDB, já que integram a mesma legenda de Renan.
O vice-presidente do conselho, senador Adelmir Santana (DEM-DF), disse que na prática, além de Suplicy, Quintanilha tem apenas os senadores Jefferson Peres (PDT-AM), Augusto Botelho (PT-RR) e Fátima Cleide (PT-RO) para indicar à relatoria. Peres, Botelho e Suplicy, no entanto, estão entre os ''independentes'' da base aliada que poderiam dificultar a vida de Renan no conselho.
Quintanilha não quis adiantar se convidou Botelho e Cleide para a função. ''Eu estou excluindo senadores de partidos autores da representação. A partir de terça-feira, vou ter que designar. Quem não aceitar, vai ter que arcar com esse ônus.''
Adelmir Santana evitou especular sobre os motivos que levaram Quintanilha a não convidar Suplicy e Peres para a relatoria, mas ressaltou que o presidente do conselho ''deve ter os seus motivos'' para excluir tais parlamentares. ''É uma escolha pessoal do presidente do conselho. Eu não creio que ele se submeta a esse tipo de pressão (exercida por Renan).''
Na opinião de Santana, se permanecer o impasse sobre a escolha do relator, o Conselho de Ética deve ser destituído. ''Aí só vamos ter um caminho: dissolver o conselho e convocar as vacas sagradas do Congresso para que haja pessoas com coragem para serem relatoras'', desafiou.
No terceiro processo, Renan é acusado de usar ''laranjas'' para comprar um grupo de comunicação em Alagoas. A denúncia é considerada, pela oposição, como a mais grave entre os três processos a que Renan responde no Conselho de Ética.


