Escolha de Raupp indica preferência por perfil técnico
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Sabine Righetti <br> Folhapress 
São Paulo - A escolha do físico Marco Antonio Raupp para comandar o Ministério da Ciência e Tecnologia mostra uma preferência da presidente Dilma Rousseff por um perfil técnico e gerencial para a pasta. Raupp carrega no seu currículo passagens pelo comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Antes disso, foi também presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), principal entidade científica do país. É a SBPC que encabeça as discussões correntes sobre a política científica e tecnológica do país, e atua como uma espécie de interlocutor entre os cientistas e o governo. Mas foi na AEB que Raupp ganhou mais projeção. À frente da instituição nos últimos dez meses, onde esteve por indicação de Aloizio Mercadante, Raupp tentou fazer uma espécie de ''varredura''.
A missão dele era sincronizar o complicado calendário espacial brasileiro, que coleciona atrasos no envio de satélites nacionais e está distante do setor privado. ''Falta uma Embraer no setor espacial'', ele costumava dizer. Uma das ideias mais ousadas do físico ao sair do Inpe para assumir a AEB foi tentar ''unir'' as duas instituições.
Para Raupp, não faz sentido o país ter uma instituição para fazer pesquisa, formar pessoas e projetar satélites (o Inpe) e outra para coordenar a política espacial (a AEB). Do ponto de vista acadêmico, Raupp também tem um currículo denso. Fez doutorado em matemática na Universidade de Chicago e é livre-docente pela USP. Também foi professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB) e professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP.
Além de sua ligação com a pesquisa espacial - ele é membro titular da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) -, Raupp gosta de assuntos ligados à inovação. Ele segue a linha de Mercadante na tentativa de ligar o setor acadêmico ao privado.


