A cerca de dois meses da data em que provavelmente vai escolher o seu candidato a presidente da República, o PSDB passa pela sua maior crise interna. A disputa entre os partidários da candidatura do ministro da Saúde, José Serra, e do governador do Ceará, Tasso Jereissati, chegou a tal ponto que tem dirigente do PSDB com medo de que o ódio entre uma e outra facção impeça que, lá na frente, quando for definido o candidato tucano, haja unificação do partido.

A indicação do publicitário José Roberto Vieira da Costa para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República só piorou a situação. Tanto é que o presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP), deixou de lado os esforços para pacificar os tucanos e entrou na briga. Aníbal pediu ao presidente Fernando Henrique Cardoso um recuo na nomeação de Bob Vieira, como é conhecido o publicitário ligado ao ministro da Saúde.

Depois de concluir a conversa com o presidente, Aníbal conversou com senadores partidários de Tasso Jereissati. A um deles disse que acharia melhor que o secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento Agrário, José Abrão, deixasse o governo. Abrão era o nome mais cotado para assumir o lugar de Andrea Matarazzo, que se afastou da Secretaria de Comunicação para assumir a Embaixada do Brasil na Itália.

A crise vivida pelo PSDB gerou três grupos no partido. O primeiro, comandado pelo líder tucano na Câmara, Jutahy Júnior (BA), trabalha pela candidatura do ministro José Serra. O segundo, que tem entre seus dirigentes o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, luta por Tasso Jereissati. O terceiro tenta encontrar caminho próprio e existe exclusivamente na Câmara dos Deputados. Quer a candidatura do presidente da Câmara, Aécio Neves (MG).

Se for feita uma pesquisa na Câmara, Serra e Tasso perdem. A escolha recairá em Aécio. E, embora tenha até feito um apelo aos seus colegas tucanos para que parem de lançar seu nome, Aécio está agindo. Na segunda-feira, por exemplo, estará em Porto Alegre para um debate sobre o Parlamento e a ética, a convite de três fortes federações: do Comércio, da Agricultura e da Indústria do Rio Grande do Sul.

A deputada tucana Yeda Crusius (RS), presidente do Instituto Teotônio Vilela, intermediou o convite para Aécio. No dia 18 será a vez de Tasso Jereissati também aparecer em Porto Alegre, para tocar a sua campanha. Yeda diz que sua intenção é mostrar aos gaúchos todos os que podem ser candidatos tucanos.

A deputada Marisa Serrano preside o PSDB de Mato Grosso do Sul. Segundo ela, é natural que os deputados sejam mais próximos de Aécio Neves. ''Acho que vamos ficar todos trabalhando por Aécio até que o PSDB defina o nome do candidato'', diz ela. Marisa acredita, porém, que se Aécio não quiser mesmo ser candidato, há uma tendência pró-Serra entre os deputados.

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