Escolha de Beto é irreversível, diz Alvaro
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segunda-feira, 01 de março de 2010
Rosiane Correia <BR> de Freitas<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O senador Alvaro Dias declarou ontem em entrevista à FOLHA que não deve colocar seu nome à disposição do partido na convenção do PSDB em junho, quando será escolhido em definitivo o candidato da legenda ao governo do Paraná. Para Alvaro, a escolha do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) como pré-candidato em reunião do PSDB no último dia 22 é ''fato irreversível''. ''Não acho que é possível disputar a convenção num partido que se organizou como o PSDB do Paraná'', decretou.
Para Alvaro, ''a imprensa já está dando isso (a escolha de Beto) como fato consumado. Já deixaram de incluir meu nome nas pesquisas de intenção de voto''. ''Não tenho nenhuma chance (de ser escolhido)'', disse.
O senador disputava com Beto a indicação dos tucanos para liderar a chapa do partido na disputa pelo governo. Em votação realizada no dia 22 de fevereiro, o diretório do PSDB do Paraná escolheu o prefeito da capital com 41 dos 45 votos. Para Alvaro, a escolha foi o ''descumprimento de um compromisso'' que o diretório tinha com a Executiva Nacional de escolher o candidato no Paraná ''com base nas pesquisas''. ''Foi uma reunião imprudente, irresponsável que não representa a vontade do partido'', completou.
Sobre a possibilidade de deixar o ninho tucano, Alvaro foi reticente. Disse que ''o futuro a Deus pertence'' e que por enquanto vai continuar no partido ''brigando''. Mas afirmou que se depender ''desse grupo (que controla do PSDB-PR) não serei candidato nem a vereador em Cabrobó''. ''Na eleição (em 2006) passada eles já não permitiram que eu fosse candidato'', completou.
Já o presidente do PSDB-PR, deputado estadual Valdir Rossoni, disse que o partido não pretende discutir as críticas do senador ao diretório. ''Ele tem que aceitar a decisão da maioria'', defendeu. O deputado disse que o senador faz ''sempre as mesmas críticas''. Para Rossoni, Alvaro poderia ter ''trabalhado melhor a aceitação dele no partido''.
''Ele que prega tanto a unidade, a construção de um palanque forte não poderia estar fazendo isso que está fazendo'', disse o deputado estadual Ademar Traiano (PSDB). Para o parlamentar, as críticas do senador ''também atrapalham a articulação'' do apoio a José Serra no estado. ''Acho que se isso continuar o partido tem que tomar algumas providências. Não podemos permitir esse tipo de agressão ao partido nem ao Beto'', defendeu.
O PSDB, no entanto, não tem planos de discutir a situação de Alvaro em reunião da executiva estadual. ''Não tem o que discutir. Ele tem é que aceitar (a escolha de Beto Richa'', completou Traiano.


