Cada escola particular que assinar o Agoranet estará automaticamente apontando a entrada de uma escola pública. Sugestões serão colocadas aos professores para discussões, tanto de abordagem política quanto de comportamento. Um fórum estará a disposição do eleitor para que ele faça a lei. A página na Internet também será um canal para a realização de plebiscitos. Os temas abordados terão dois textos feitos por profissionais para dissertarão sobre o assunto – um pró e um contra. Os temas serão desde os mais complexos até os rotineiros, como a obrigatoriedade do voto. ‘‘De olho na memória’’ vai ser um espaço importante para que o eleitor conheça bem a história da nossa política e, principalmente, a vida dos nossos políticos.
Quando o projeto foi apresentado ao secretário de Justiça estadual, Belisário dos Santos Júnior, recebeu elogios e a sugestão de viabilizá-lo em locais públicos. Para isso, Gilberto Palma vai buscar a parceria com outro projeto, a democratização da informática, idealizado por Rodrigo Baggio. ‘‘Terminais em estações de metrô foi uma proposta interessante’’, exemplifica.
O debate tradicional será invertido, o eleitor se torna debatedor. O debate às avessas pretende extrapolar até os locais em que será realizado. ‘‘Vamos fazer até em garagem de prédio se nos chamarem’’, apela Gilberto. O propósito desse tipo de debate é fazer os candidatos ouvirem as discussões de seus eleitores.
As cadeiras serão ocupadas por eleitores de voto declarado e pelo eleitor que vota nulo. O voto nulo também terá seu lugar, mas o voto em branco não, porque segundo Gilberto não representaria uma escolha na democracia. Os temas dos debates seguirão a mesmo linha diversificada do plebiscito no site agoranet.
O Ágora quer fazer renascer a figura do ‘‘queixoso’’. A idéia é que o cidadão tenha controle da política social com seus representantes legais, eleitos com consciência e conhecimento. A sociedade ignora os meios legais existentes da administração pública, porque não tem mais acesso fácil a essas informações.
‘‘No período da ditadura, matérias como Filosofia e Sociologia foram excluídas do currículo escolar’’, conta Gilberto. No lugar, propositalmente entraram matérias como OSPB, Organização Social e Política do Brasil, e Educação Moral e Cívica. ‘‘O conteúdo dessas cadeiras eram espúrios e os poucos professores que davam alguma composição eram convidados a se retirar das escolas’’, lembra explicando que ele mesmo foi excluído do quadro de funcionário de instituições de ensino várias vezes.
O resultado dessa ‘‘despolitização’’ no ensino pode ter causado desinformação e falta de interesse atual pelo assunto. ‘‘Serviu como lavagem cerebral’’, crítica. O paralelo traçado entre as falhas da nossa educação política e os políticos que elegemos pode ser a prova disso. ‘‘Elegemos o Pitta, elegemos o Collor, mas na rua, dificilmente você achará os eleitores desses candidatos’’.
A filosofia do projeto prega que ‘‘a conquista da cidadania passa pela reapropriação física da cidade’’. A área educacional, segundo Gilberto, não pode contar com o Estado. O projeto quer politizar o cidadão para que ele tenha base em suas reclamações e memória política para as eleições. (L.R.)

mockup