Curitiba - Dez escolas de samba de Curitiba assinaram ontem um documento manifestando o apoio a blocos carnavalescos de cunho político que queiram desfilar na Avenida Cândido de Abreu no carnaval. O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Cassio Chamecki, afirmou no sábado, que era contra a participação dos blocos ‘‘Unidos do Caixa 2’’ e ‘‘Cachorro Louco - Atropela e Foge’’.
Apesar dos dois grupos afirmarem que as críticas de seus sambas-enredo não serem destinadas a ninguém em particular, é clara a alusão ao prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), que teve suas contas de campanha investigadas, e ao senador Roberto Requião (PMDB), que foi acusado por ter supostamente atrapalhado os trabalhos policiais durante um acidente de trânsito envolvendo seu sobrinho.
Segundo o coordenador administrativo do ‘‘Unidos do Caixa 2’’, Jerry Tanan, o bloco pretende entrar na Justiça para garantir o direito de participar do desfile. ‘‘A tradição carnavalesca do Brasil sempre foi a da crítica bem-humorada, como a que pretendemos fazer. É uma maneira de criar uma consciência política na população’’, explica Tanan. No dia 26 de janeiro, um oficial de Justiça recolheu do diretório do PMDB material do bloco que seria ofensivo à imagem de Cassio.
O presidente da Fundação lamentou a tentativa de grupos políticos utilizarem o carnaval para manifestar suas idéias. ‘‘Querem chamar mais a atenção com a polêmica do que com o desfile de carnaval’’, comentou Chamecki. (R.S.)

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