Escola vira cabo eleitoral de Benedita
Arquivo FolhaMangueira, no desfile do ano passado: enredo faz homenagem à vida do compositor Chico BuarqueNo rastro da Mangueira e da Grande Rio vem a Caprichosos de Pilares com seu enredo Negra origem, negro Pelé, negra Bené, que enaltece a senadora Benedita da Silva (PT-RJ) e a raça negra. Sem querer, a escola acabou se tornando o maior cabo eleitoral de Benedita, em vias de fechar um acordo com o prefeito de Campos, no norte do Estado, Anthony Garotinho (PDT-RJ), para compor uma chapa na disputa pelo governo estadual. Não devo desfilar, embora me sinta honrada com a lembrança, adianta Benedita. A recusa é menos por pudor político que pela pressão que ela vem sofrendo de seus irmãos evangélicos.
O samba da Caprichosos é alegre e fácil. E a escola reservou uma ala aos amigos do partido de Bené, como é conhecida a senadora. Alguns petistas, no entanto, preferem sair na Grande Rio ou na Mangueira. São os contrários a provável aliança de Benedita com Garotinho. A nossa homenagem não é só à senadora mas também a toda as mulheres negras e faveladas que provaram ser possível vencer mesmo com todas as discriminações, observa o carnavalesco Jerônimo Guimarães.
Arquivo FolhaDébora: impasse na passarela
A Viradouro, atual campeã, segue a mesma temática da Caprichosos com o enredo Orfeu - o negro do carnaval, de Joãozinho Trinta. Mas prefere criar um personagem em vez de reverenciar políticos.
Um ano depois de fazer a apologia à loucura e receber os aplausos do ex-prefeito do Rio, César Maia (PFL) - ele chegou a afirmar que o enredo era em sua homenagem - a Porto da Pedra vai direcionar sua crítica este ano a uma modalidade de crime: o assalto. E contará na Marquês de Sapucaí, segundo o carnavalesco Mauro Quintaes, que os brasileiros são assaltados sem perceber. Uma alegoria vai mostrar que a Justiça não é cega, é míope, e lembrará dos colarinhos brancos, impunes e ocupando posição de destaque no País, diz Quintaes.
Arquivo FolhaBenedita: homenagem sem desfile
O enredo da Porto da Pedra Samba no pé e mãos ao alto, isto é um assalto, faz uma breve referência as denúncias de corrupção nos meios políticos do Brasil. Enquanto a letra do samba da Vila Isabel é um reforço à luta pela igualdade social, a da Imperatriz Leopoldinense é um protesto à robotização das relações humanas, como define a carnavalesca Rosa Magalhães. A máquina nunca terá a percepção das coisas políticas e sociais que a cercam, diz. Para ela - a máquina - não há cultura, racismo e nacionalismo e vamos levantar essa discussão.
A Tradição, que volta neste carnaval para o grupo especial, optou por uma viagem à Amazônia, onde a devastação e a exploração sem limites serão enfatizadas. É a política no samba sem que os sambistas defendam a politização do carnaval.





