'Escola sem Partido' põe em atrito bancada evangélica
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba A tramitação da versão paranaense do programa "Escola sem Partido", que pretende restringir discussões sobre política e sexualidade nos colégios públicos do Estado, fez o clima esquentar ontem na Assembleia Legislativa (AL). O projeto de lei 606/2016, de autoria de Missionário Ricardo Arruda (DEM), seria votado na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas recebeu pedido de vista do relator, Pastor Edson Praczyk (PRB). Ambos os deputados, que integram a bancada evangélica da Casa, chegaram a trocar farpas durante a sessão plenária, realizada pouco tempo depois da CCJ.
Arruda reclamou que apresentou o texto há quase um ano e que só agora ele foi colocado em pauta. "Votaram coisas muito menos importantes aqui, como a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, e com regime de urgência. Ora, urgência para quem tem a bebida alcoólica?", questionou. Segundo ele, o "Escola sem Partido" tem como objetivo não permitir que o governo e os professores tratem de ideologia partidária e, principalmente, de "ideologia de gênero" no ambiente escolar.
"Essa matéria hoje é um escândalo em nosso País, uma verdadeira vergonha. Nossas crianças são expostas a tudo aqui, sem regras ou limites. Alguém pode imaginar que uma criança de seis anos tem maturidade para entender sobre sexologia, se é menino ou menina?", prosseguiu Arruda, que é pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus.
Já Praczyk, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, acusou assessores do colega de pedir que participantes de um grupo de WhatsApp o pressionassem a dar um parecer sobre a mensagem. "Ontem à tarde que me chegou essa matéria. Sou tudo menos covarde, menos um frouxo. Quero estudar o tema. Não quero apresentar de qualquer forma ou de forma leviana um parecer que não seja técnico." O parlamentar do DEM tentou responder, mas como já havia usado a tribuna, seu pedido foi rejeitado pelo presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB).
Para o líder da situação na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), a iniciativa é um despropósito. "Sou completamente contrário. Entendo que a pluralidade, a diversidade, tem de ser tratada dentro do processo democrático que nós temos. A escola é espaço de debate. Essa história de ideologia de gênero é uma bobagem absoluta. Nunca ouvi falar que uma professora tivesse perguntado ao aluno de seis anos se ele quer ser menino ou menina. Posso viver em outro planeta, mas nunca ouvi falar nisso. Esse tema vem sendo tratado de forma leviana. Não discuti com o governo, mas espero que não apoie uma medida como essa."


