Escola existiu antes do Centro e foi usada
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
A escola agrícola, construída com recursos federais no terreno doado pela Câmara de Londrina para um centro de eventos, foi usada provisoriamente em 1995 por alunos da rede municipal de ensino. Fotos obtidas pela Folha mostram crianças da Escola Bárbara Falcovisk Vieira, do Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina), frequentando o prédio semi-acabado no terreno doado à PBV Eventos e participações Ltda. A informação também foi confirmada pelo ex-secretário de Educação de Londrina, Luiz Carlos Bruschi. Os diretores da PBV e a diretoria da Codel na época em que o imóvel foi doado (junho de 98) alegam que não sabiam da existência da escola agrícola.
Bruschi contou que no início de 95 a escola Bárbara Vieira, localizada em uma das regiões mais carentes de Londrina, foi reformada e ampliada. Durante quatro meses, aproximadamente 150 alunos da unidade eram levados diariamente em dois ônibus para a escola agrícola, que estava com 90% de suas obras acabadas. As crianças não podiam ficar sem aula e nós transportávamos os alunos todos os dias. Era com algum sacrifício mas as famílias aceitavam, afirmou o ex-secretário.
No local também foi montado uma cozinha provisória para fazer a merenda das crianças. As fotos obtidas pela Folha mostram um bloco de cinco salas muito parecido com o local utilizado atualmente pela PBV para a realização de workshops e palestras. Na época, professores consideraram as intalações da escola agrícola mais amplas que as salas da escola Bárbara Vieira, construída em madeira.
Segundo Luiz Carlos Bruschi, a escola começou a ser construída em 1992 na segunda gestão do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido), com cinco salas de aula e uma cocheira. No início da administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (na época PT, hoje PMDB), a obra teve continuidade e as salas de aula foram parcialmente concluídas em 94, quando Bruschi já era secretário de Educação. Porém, o ex-secretário afirmou que os recursos disponíveis na época não eram suficientes para a conclusão do projeto.
Bruschi disse ainda que em 1995 procurou a Delegacia do Ministério da Educação (MEC), em Curitiba, mas foi informado que para obter mais recursos era necessário encerrar o atual projeto e devolver o que havia sido aplicado até aquela data. Corri o risco (do projeto ser extinto) para não ficar inadimplente junto ao MEC porque havia outros projetos federais. Imediatamente entrei com outro projeto complementar para concluir a escola e obtivemos R$ 400 mil. O aparente prejuízo foi ressarcido com a aprovação desse projeto, avaliou.
Bruschi argumentou que não recomeçou a obra porque a Construtora Fato, vencedora da primeira licitação, queria retomar os trabalhos sem nova concorrência. Tive dúvidas (legais) se fazia nova licitação e, no mês de junho de 96, pedi uma convalidação (renovação) ao MEC para não ter problemas futuros, alegou. Ele disse ainda que o MEC demorou para dar a resposta e a obra não pôde ser retomada durante sua administração Eu não posso acreditar que as pessoas não soubessem da escola. Era um terreno da Codel cedido para a escola. Depois, quem conseguiu o primeiro recurso foi o Belinati, concluiu.


