A bancada de deputados do Paraná é pródiga em casos de escândalos e denúncias muitas vezes obtidas por métodos duvidosos. Além do caso mais recente, envolvendo os deputados José Borba (PTB) e Valdomiro Meger (PFL), nesta legislatura estiveram também no centro de escândalos os deputados João Iensen (PPB), acusado de montar na Comissão de Ciência e Tecnologia e Comunicação todo o processo para a concessão de emissoras de rádio e televisão; Paulo Cordeiro (PTB), que espancou o chefe de gabinete do Ministério do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Sérgio Salles; e Maurício Requião, que (PMDB) gravou clandestinamente uma conversa com o chefe de gabinete do Ministério da Saúde, Marcelo Azalin, denunciando uso de influência política para liberação de recursos.
O teor da conversa entre o deputado e Azalin foi revelado pelo senador Roberto Requião (PMDB), irmão de Maurício. No diálogo, Azalin dizia ao deputado que só poderia liberar as emendas orçamentárias dos parlamentares se estes tivessem, antes, um encontro com o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. A gravação foi utilizada por Roberto Requião para dizer que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso estava aliciando os deputados.
Na legislatura passada, a bancada paranaense também esteve no centro de muitos escândalos. O ex-deputado Onaireves Moura perdeu o mandato depois da denúncia de que estava comprando outros parlamentares, para aumentar a legenda do PSD e garantir tempo suficiente para alugar a legenda a algum candidato interessado na disputa pela Presidência da República. O episódio ficou conhecido por PSDólar.
Neste escândalo apareceram também os nomes de Carlos Roberto Massa - o Ratinho, hoje famoso apresentador de programa escabroso da TV Record - e de Pinga-Fogo de Oliveira. Feita a sindicância, nada ficou provado contra os dois. Ratinho terminou o mandato e não quis mais voltar à Câmara; Pinga-Fogo não. Renunciou e assumiu em seu lugar Abelardo Lupion (PFL), fazendeiro rico e fundador da União Democrática Ruralista (UDR), que, reeleito em 1994, envolveu-se no início do ano em uma contenda com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Pedro Wilson (PT-GO), por causa de manifestações de sem-terra.
Sem ser da bancada do Paraná, mas sendo paranaense, o deputado Jabes Rabelo, representante de Rondônia, é o único caso de parlamentar cassado por se envolver com o narcotráfico. Jabes Rabelo forneceu para o irmão Abidiel uma carteira da Câmara, para lhe garantir uma espécie de salvo-conduto. Preso com uma carga de cocaína, Abidiel tentou se livrar exibindo a carteira do irmão. De nada adiantou. Foi preso e ainda arrastou o irmão, que perdeu o mandato.
As campanhas para o governo do Paraná costumam ser violentas. Quando disputava o governo do Estado, o hoje senador Roberto Requião exibiu em seus programas um pistoleiro, chamado ‘‘Ferreirinha’’, que garantia ter sido contratado pelo adversário José Carlos Martinez, então favorito da disputa. Requião venceu a eleição e Martinez o processou por falsificação de provas. ‘‘Ferreirinha’’ seria, no caso, apenas um ator contratado por Requião e nunca mais foi visto. O caso é conhecido como uma farsa urdida no Palácio Iguaçu e de mistério, hoje, só existe o destino que teve a pessoa que fez o papel do suposto pistoleiro. Nem a família sabe dele, oito ano depois.

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