O PPB, sigla automaticamente associada em São Paulo ao ex-prefeito Paulo Maluf, enfrenta uma tendência ao esvaziamento semelhante a que ocorreu, de 1994 em diante, com o PMDB do ex-governador Orestes Quércia. ‘‘Um partido maduro não pode ter dono’’, diz o deputado federal Ricardo Izar, numa contestação explícita à liderança de Maluf. ‘‘Eu não me envolvi em nenhum escândalo e agora não vou defender quem participou deles’’, diz ele, afirmando que já tem cinco outras opções para se filiar. Está de malas prontas.
‘‘Infelizmente, com todos esses escândalos, a bandeira do partido está cada vez mais pesada de carregar’’, diz o prefeito de Águas da Prata, Waldemar Ferreira Neto. Ele anuncia que deixará o PPB, prevendo que vereadores locais sigam seu exemplo. Izar e Ferreira são dois casos extremos. Dizem abertamente o que boa parte dos malufistas apenas declara sob o compromisso de não serem identificados.
O PPB possui em São Paulo, segundo números do Diretório Nacional, 854 vereadores, 52 prefeitos (de um total de 623 municípios), dez deputados estaduais e outros dez federais. O peso de sua implantação municipal - como em Campinas e Santos - deve-se a uma mistura do prestígio de lideranças locais com a boa estrela que Paulo Maluf possuía em 1996, quando da última eleição. Deixou a prefeitura paulistana com alta taxa de aprovação e era então o favorito na disputa para o governo do Estado.
Pela legislação eleitoral, prefeitos e vereadores devem ter filiação partidária definida um ano antes de irem às urnas. Pelo calendário das eleições municipais de 2000, os pepebistas propensos a trocar de sigla deverão fazê-lo até o próximo 3 de outubro. É até lá que a debandada malufista pode ocorrer.
O atual inferno astral do PPB reúne o ‘‘efeito Pitta’’ - reprovação da administração paulistana do ex-filiado, acompanhada da descoberta de corrupção nas administrações regionais - à suposta sedução de uma menor, na qual Maluf estaria envolvido. ‘‘É preciso que tudo se esclareça, e que Maluf prove ser inocente’’, diz o deputado federal Cunha Bueno. Outro deputado federal, Arnaldo Faria de Sá, admite que o eleitorado se sensibiliza por essa maré de informações negativas. Nenhum deles pensa, por enquanto, em deixar o PPB.
Não é o que acontece na Câmara Municipal de São Paulo. A ‘‘Folha de S.Paulo’’ apurou que os vereadores do partido malufista (são ainda 16) não atingidos pela malha da CPI da propina avaliam que a sigla pode estar às vésperas de ir a pique. Só não participa dos planos de revoada coletiva Salim Curiatti Junior, filho do deputado estadual homônimo e amigo íntimo de Maluf.
‘‘A estrutura partidária está abalada com o que está acontecendo na Prefeitura de São Paulo’’, diz o deputado estadual Conte Lopes. ‘‘Estamos preocupados com a liderança de Maluf’’, diz o prefeito de Bragança Paulista, José Lavelli Lima. ‘‘A imagem do partido foi machucada’’, afirma, por sua vez, o prefeito de Amparo, Carlos Piffer.
Para o prefeito de Ilha Solteira, Sebastião de Paula, ‘‘Maluf tem que partir para o esclarecimento’’. Paulo Maluf cita o caso do vereador paulistano Vicente Viscome, que está preso, como exemplo do processo desencadeado dentro do PPB. ‘‘Todo vereador, prefeito, deputado estadual e federal, todos os pilhados em flagrante serão expulsos do partido.’’
A seu ver, os vereadores que já deixaram a sigla ‘‘em muitos casos temiam a expulsão’’. Afirma que a imagem do PPB é alimentada pelo desempenho de suas lideranças nacionais, como ele próprio e mais Delfim Neto, Roberto Campos, Esperidião Amin ou Francisco Dornelles.Arquivo FolhaInferno astralMaluf: acusações incluem fraco desempenho do prefeito Pitta, corrupção e até suposta sedução de uma menorJoão Batista Natali
Agência Folha

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