Escândalos devem resultar em campanhas pobres
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domingo, 15 de janeiro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Os escândalos do ''mensalão'' e do caixa 2, que tomaram grande parte do noticiário político em 2005, devem resultar em campanhas eleitorais mais pobres em 2006. A previsão é do jornalista e ex-coordenador de campanhas políticas Cláudio Osti.
Na avaliação de Osti, as denúncias de irregularidades devem fazer com que os empresários principais colaboradores financeiros se retraiam para não se verem envolvidos em escândalos políticos. ''Essa vai ser uma campanha mais pobre do que as anteriores. A campanha passada já foi muito simplória, principalmente nos lugares onde a população é mais esclarecida. Campanhas muito pobres na questão financeira, não na criatividade, e com esses escândalos do mensalão, caixa 2, os próprios empresários se retraem'', disse o jornalista que trabalha em campanhas há 15 anos. ''Como no Brasil há muitos partidos, a doação é muito personalista. A doação não fica caracterizada para a estrutura partidária, fica ligada à pessoa e os empresários querem evitar isso. Hoje todas as empresas que fazem balanço social já mostram a política delas para a campanha eleitoral, não que não querem colaborar, o que não querem é entrar em confusão política.''
O prognóstico coloca em risco candidaturas que ainda não têm caixa para bancar a campanha. Nas contas de Osti, para efetivamente disputar uma das 54 cadeiras da Assembléia Legislativa, um candidato a deputado estadual deve gastar no mínimo R$ 200 mil em três meses de campanha. ''O custo para campanha de deputado estadual, para quem é muito conhecido, no mínimo R$ 200 mil, para combustível, fazer santinho, distribuir e mais nada. Um candidato a deputado estadual vai ter que fazer no mínimo 20 cidades, só de combustível e assessores em três meses, não tem como fazer com menos recursos que isso. Mas tem campanha para deputado que vai gastar R$ 1 milhão, até R$ 2 milhões'', apostou.
Um candidato a deputado federal deve gastar no mínimo, R$ 500 mil. ''Um candidato como o Luiz Carlos Hauly ou o Alex Canziani, que já estão no terceiro, quarto mandato, talvez nem gastem isso, mas os candidatos a federal chegam a trabalhar em 40, 50 cidades diferentes e têm estrutura, pequena que seja, em cada uma delas'', afirmou.
Mas Osti também aponta saídas para campanhas com baixo orçamento. ''O melhor caminho e mais barato, mas que dá muito mais trabalho, é fazer um trabalho de base, atuar em alguma entidade como associações de moradores, associações de classe, trabalhando esse público desde a sua primeira intenção. O investimento na campanha é muito pesado se ninguém te conhece. Se é bastante conhecido, o custo cai absurdamente'', disse. ''Na primeira campanha a deputado federal, o (ministro do Planejamento) Paulo Bernardo centrou a campanha nos bancários e teve um custo mínimo só com distribuição de santinhos. Se elegeu com custo muito em conta. Por outro lado, candidatos que gastam fábulas não conseguem se eleger por 'n' motivos, como investimento errado em algumas cidades'', avaliou o jornalista.


