A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre possível cobrança de propina para agilizar a doação de terrenos para empresas no Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) levou a líder do governo na Câmara, Elza Correia (PMDB), a pedir a interrupção de tramitação de 13 projetos do gênero. A solicitação foi feita após reunião entre os parlamentares, na tarde de ontem, que durou cerca de uma hora e meia.
Os projetos eram tratados como urgência entre as 30 prioridades que o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) quer ver aprovados ainda este ano. Apesar da suspensão, Elza admite que ainda haveria tempo para aprová-los este ano, caso a Prefeitura de Londrina consiga provar que houve idoneidade na tramitação antes de chegar ao Legislativo.
Na noite de ontem, o presidente da Codel, Bruno Veronesi, indicou que deve interceder pela retomada das tramitações hoje à tarde.
Na sexta-feira passada, o Gaeco prendeu temporariamente o gerente de Desenvolvimento Industrial da Codel, Eduardo Ivan Reale, o empresário Dorival Pereira e Eliana Teixeira Gonzaga, por suspeita de participarem de esquema de cobrança de propina para beneficiar empresas nos processos de doação de áreas públicas.
Até a semana passada, a Câmara contabilizava 12 projetos do gênero. Porém, ao fazer novo levantamento para a reunião de ontem, descobriu-se haver mais um.
Segundo Elza, a interrupção foi pedida porque a Câmara não se sentiu segura em votar os projetos após o escândalo. Além disso, afirmou, é interesse do prefeito averiguar tudo antes da continuidade. O projeto que beneficiaria a empresa de Pereira, a Artlondre Indústria e Comércio de Artefatos, não voltará para tramitação.
Também na tarde de ontem, Kireeff e Veronesi se reuniram com os empresários envolvidos para discutir se houve proposta de propina a eles. Em entrevista à FOLHA, Veronesi diz que nenhum afirmou ter sido vítima de proposta do gênero. Todos devem ir hoje à Câmara conversar com os vereadores.
Para Veronesi, a tramitação dos projetos não pode ser prejudicada. "Dos 31 processos que tramitaram na Câmara este ano (partindo da Codel), apenas um está sob investigação", lembrou o presidente.
Para ele, os processos devem ser finalizados e, caso haja comprovação de irregularidade, a área deve ser tomada de volta pela prefeitura.

mockup