A antecipação do depoimento do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) do dia 7 de julho para amanhã, ao juízo substituto da 3 Vara Criminal de Londrina, poderá desencadear, no Ministério Público (MP), a reabertura da investigação que constatou atos de suposta concussão, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro pela doação de um terreno ao empresário Marcelo Caldarelli, em dezembro de 2005. A ação penal ingressada em 7 de abril pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) implicou também em ação civil pública de improbidade administrativa que pediu à Justiça - com sucesso -, à época, o afastamento cautelar dos vereadores Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP) de seus cargos na Câmara.
Além deles, Bonilha e o ex-assessor parlamentar de Bergamin, Júlio Cesar de Lima Romagnolli foram acusados de enriquecimento ilícito de R$ 38 mil referente ao processo de doação da área de 3,2 mil metros quadrados ao empresário, às margens do Lago Igapó 1.
Ontem, em meio a uma onda de especulações sobre um possível pedido de afastamento de vereadores que constavam de uma lista com os nomes de nove parlamentares - os quais, segundo Caldarelli, teriam recebido dele para aprovar a matéria -, o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, afirmou que o depoimento de Bonilha à juíza substituta Zilda Romero, amanhã, ''será fundamental'' para as próximas diligências do grupo, seja para eventual aditamento ou mesmo para solicitação de medidas cautelares à Justiça. Questionado se há possibilidade de os vereadores citados na lista serem chamados novamente a depor, no MP, Esteves admitiu que isso é possível.
''As declarações de Bonilha produziram algumas alterações no que vinha sendo investigado, de modo que qualquer pessoa da Câmara pode ser chamada a depor - O que não quer significa que será necessariamente responsabilizada. Isso demanda um trabalho técnico'', concluiu o promotor. Nos depoimentos da semana passada, na condição de colaborador do MP, Bonilha disse ser real a lista do caso Caldarelli - composta pelos nomes dele, Gláudio Lima (PT), Sidney de Souza e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Jamil Janene (PMDB), Bergamin, Araújo, Flávio Vedoato (PSC) e Henrique Barros (sem partido), os qusis teriam recebdio, cada, R$ 3 mil pela aprovação. Os parlamentares negam a acusação.

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