Escândalo expõe fragilidade do governo
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domingo, 15 de novembro de 1998
Cláudia Carneiro Agência Estado 
Quando comemorou a vitória da reeleição com mais de 37 milhões de votos, o presidente FHC não imaginava que, além de um duro ajuste fiscal para salvar o real do desmoronamento, teria de enfrentar também um escândalo que se transforma no mais delicado momento de seu governo e mostra sua fragilidade para esse tipo de assunto. Ainda de proporções incertas, o escândalo torna-se o mais grave na medida que, pela primeira vez e prestes a tomar posse no segundo mandato, o presidente tem seu nome diretamente envolvido em suspeitas de irregularidades, juntamente com seus amigos mais próximos.
Depois dos escândalos que resultaram no impeachment do ex-presidente Fernando Collor e na descoberta da máfia do Orçamento, o governo de FHC perdeu a chance de transcorrer num mar insuspeito e teve seus quatro anos permeados de denúncias de todo tipo. De um lado, a oposição acusou o governo de tentar abafar todos os casos. De outro, os aliados do Planalto denunciavam uma manipulação de informações para desestabilizar o governo e atrapalhar o processo das reformas no Congresso.
As reformas estruturais propostas por FHC foram conduzidas no Congresso, e várias vezes interrompidas, por escândalos que que envolveram o governo ou personagens dele, já nos primeiros meses. Começou pelas irregularidades no processo de licitação e montagem do Sivam; passou pela divulgação da pasta rosa do Banco Econômico que continua nomes de políticos que teriam sido favorecidos de forma ilegal; a criação do Proer que despejou cerca de R$ 12 bilhões no Banco Nacional, um dos colaboradores da campanha de Fernando Henrique de 1994; e a descoberta de uma lista de devedores do Bando do Brasil, feita para forçar parlamentares a votar a favor da emenda da reeleição.
Os escândalos não pararam por aí. Depois de alcançada a meta de aprovar a reeleição no Congresso, o governo é envolvido na suspeita de ter comprado votos de parlamentares na época da votação da emenda na Câmara. O então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que morreu em abril deste ano, seria o negociador dos votos, a um preço de R$ 200 mil cada.
Nada foi comprovado, mas os dois principais envolvidos, os deputados Ronivon Santiago (PFL-AC) e João Maia (PFL-AC) decidiram renunciar antes de ser submetidos à perda do mandato parlamentar. Como se não bastassem as suspeitas que não foram totalmente esclarecidas, o governo sofreu outras turbulências dificultando seus projetos no Congresso, como o caso dos precatórios dos Estados e os processos de cassação contra vários deputados. Em todas as situações que colocaram sob suspeita a correção do governo e a integridade de seus membros, os aliados do Planalto minaram as tentativas da oposição de instalar CPIs.
ContráriosCom exceção da CPI dos Precatórios - cujos vilões eram os governos estaduais, os pedidos de CPI para o caso Sivam, o Proer, a pasta rosa e a compra de votos foram abortados. Depois do que aconteceu com as CPIs do PC Farias e dos anões do Orçamento, esperávamos um governo Fernando Henrique Cardoso muito mais transparente e mais incisivo numa postura de clareza, criticou o deputado José Genoino (PT-SP), citando a demora do governo de pedir investigação sobre as denúncias de que ele participaria de empresa em paraíso fiscal com saldo bancário de R$ 368 milhões, além das conversas grampeadas de auxiliares seus colocando sob suspeita o processo de privatização da Telebrás. Hoje existe uma dúvida sobre o governo, e isso não deveria acontecer, completou.
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) também não quer saber de CPI para o caso Bahamas. O presidente do Senado disse que a publicação da cópia de um papel mostrando que Sérgio Mottam aparecia como um dos diretores da empresa CH, J & T não é suficiente para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso.
A reportagem da Folha de S.Paulo não justifica uma CPI, segundo ACM, porque uma firma ter uma filial em algum lugar não é nada demais. Isso nada tem a ver com esses documentos apresentados como supostamente verdadeiros, que eu acho que são falsos. O senador disse não acreditar na veracidade dos papéis usados para chantagear o governo.


