ESCÂNDALO DOS GRAMPOS - Praça dos Três Poderes em clima de guerra
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de setembro de 2008
Tânia Monteiro e<br>Rui Nogueira<br>Agência Estado 
Brasília - A crise política envolvendo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal e o Ministério da Defesa - triscando também o Supremo Tribunal Federal (STF) - transformou a Praça dos Três Poderes em um campo de batalha, com muitas acusações.
Os aliados são bem definidos. De um lado, estão o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Do outro, fica Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da PF e afastado temporariamente do comando da Abin. No meio do tiroteio, o general Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a quem a Abin é subordinada.
Félix não tem compromisso em segurar Lacerda no cargo, mas está incomodado com a maneira como Jobim ataca a Abin, desgastando sua chefia e a própria instituição aos olhos dos agentes. Jobim comunga da ''visão germânica'' do presidente do STF, ''para quem Polícia boa é polícia sob controle total da lei'', disse à Agência Estado um dos colegas dele no STF. Mendes é mestre e doutor por universidade da Alemanha.
O chefe do GSI tem confidenciado que a forma como Jobim ataca a Abin fragiliza até o comandante do Exército, Enzo Perin. O ministro disse que a agência comprou maletas que permitem fazer escuta ambiental e grampos telefônicos, o que é proibido. Mas o Exército tem as mesmas maletas e o mesmo impedimento.
Como laudo da PF contrariou suas declarações, Jobim promete apresentar à CPI dos Grampos cópias de notas fiscais que comprovariam a compra de equipamentos para escuta pela Abin.


