Escândalo do BB afasta doações
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sábado, 07 de agosto de 2004
Agência Estado 
Brasília - Depois do polêmico show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, as doações de empresários para o PT começaram a diminuir em São Paulo. Em conversas reservadas, dirigentes petistas responsabilizam o secretário de Finanças do partido, Delúbio Soares de Castro, pelo ''congelamento'' da arrecadação destinada às campanhas no Estado. Acham que os empresários ficaram assustados com a trapalhada ocorrida no show da dupla sertaneja, no último dia 13, em Brasília, e, por isso, seguraram o dinheiro.
''Faltam quase dois meses para as eleições e qualquer previsão que se faça agora pode ser um erro'', afirma Delúbio. ''Eu não percebi nada disso.'' Na cúpula do PT, no entanto, há companheiros irritados com Delúbio, também tesoureiro da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. No mês passado, em reunião a portas fechadas do chamado ''campo majoritário'' que reúne as facções moderadas do partido , houve duras cobranças em relação à quantia arrecadada no show, na Churrascaria Porcão, para a compra da sede do PT, orçada em R$ 15 milhões.
O que mais causou mal-estar na legenda foi o desembolso, pelo Banco do Brasil, de R$ 70 mil para comprar mesas para o show. Mesmo depois da devolução do dinheiro ao banco e das explicações de Delúbio de que o PT não pediu esse patrocínio , a análise interna é de que o partido ''pisou na bola''. ''Isso tudo é barulho pré-eleitoral'', desconversa o presidente do PT, José Genoino.
Embora quatro dirigentes do PT tenham contado à reportagem que, após essa confusão, industriais que pretendiam contribuir com campanhas e até com a compra do imóvel para o partido ficaram ressabiados e suspenderam as doações, o coordenador do Comitê de Empresários do PT, José Carlos de Almeida, procurou amenizar o fato. ''É uma maldição: empresário tem a marca de Caim e é visto só como financiador de campanha'', lamenta.
O orçamento do diretório nacional do PT para este ano é de R$ 45 milhões, mas todas as suas seções estaduais e municipais movimentam uma montanha de dinheiro. No total, o volume de recursos pode chegar a mais do dobro desse valor. O partido tem, hoje, cerca de 800 mil filiados.


