Escândalo derruba assessor-companheiro de Lula
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segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - Depois de conversar por telefone, na manhã de ontem, com seu antigo segurança, companheiro e assessor particular no Planalto, Freud Godoy, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu exonerá-lo do cargo. Lula tinha pressa em tomar a decisão porque, no final da manhã de ontem, embarcaria para Nova York, para participar da cerimônia de abertura da reunião da Assembléia Geral das Nações Unidas.
O envolvimento de um auxiliar tão próximo no escândalo de compra de dossiê sobre envolvimento de tucanos na máfia das ambulâncias irritou profundamente Lula que, ao tomar conhecimento do fato, pela manhã, ligou para Freud imediatamente para pedir explicações.
Freud teve o nome envolvido no caso por Gedimar Pereira Passos, preso na sexta-feira pela Polícia Federal (PF) junto com o empreiteiro Valdebran Padilha. Com eles foram apreendidos R$ 1,7 milhão. A PF suspeita que o dinheiro seria usado para pagar o dossiê que seria vendido por Luiz Antônio Vedoin, acusado de liderar a máfia das ambulâncias. O dossiê vincularia José Serra, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, com a máfia das ambulâncias.
A queda de Freud foi precedida de uma formalidade. O pedido de demissão foi encaminhado, via e-mail, em nome do chefe de Gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, a quem está subordinado administrativamente. Apesar de Freud e seu advogado dizerem que o afastamento será temporário, enquanto durarem as investigações, no Planalto a assessoria se limita a informar que o Diário Oficial (DO) publicará na manhã desta terça-feira a exoneração. As nomeações e demissões normalmente são assinadas pela ministro-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. No ato deve constar que a saída dele foi a pedido.
A duas semanas das eleições e com as pesquisas apontando que será reeleito no primeiro turno, o presidente Lula dizia a auxiliares que considerava ''inacreditável'' uma situação dessas. O clima de perplexidade era enorme e auxiliares do presidente se apressavam em dizer que apesar das denúncias, Lula acreditava no assessor, porque não considerava nem um pouco razoável que ele pudesse ter se metido em uma trapalhada destas.
O Planalto não divulgou o teor do e-mail remetido por Freud a Gilberto Carvalho, seu superior hierárquico, pedindo demissão do cargo. Carvalho também não quis falar sobre o episódio. A assessora especial do presidente, Clara Ant, também se esquivou de comentar o caso alegando que não falou com a imprensa até agora e que não seria agora que iria dar declarações. A confirmação da exoneração de Freud e do telefone de Lula para o ex-auxiliar foi dada pela Secretaria de Imprensa do Planalto sem detalhar o teor da conversa.
A confusão foi provocada pela denúncia do advogado Gedimar Pereira Passos que apontou Freud como o responsável pela compra de dossiê sobre o envolvimento de tucanos na máfia das ambulâncias. O fato atrasou a decolagem de Lula para Nova York em uma hora e dez minutos.


