Escândalo das multas envolve diretor da CMTU
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
Ocupando cargos comissionados na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) há quase uma década, o atual diretor de Trânsito e Transportes, Wilson Santos de Jesus, é um dos principais implicados no escândalos de cancelamento de multas irregulares na companhia londrinense, conforme apontou sindicância interna concluída esta semana. Porém, o diretor continuará nos cargos, segundo afirmou ontem o presidente da CMTU, Octávio Cesário Pereira Neto. ''Ele ficará pelo menos nos próximos 15 dias, que é o prazo que terá para apresentar defesa e se conseguir comprovar sua inocência ficará no cargo.''
O presidente justificou a permanência de Jesus com a dificuldade de encontrar outra pessoa ''com tanto conhecimento nos cargos'' e garantiu que o sistema atual - por meio do talonário eletrônico - é à prova de fraudes. A decisão, disse Pereira Neto, é baseada em parecer do novo procurador jurídico da CMTU, André Costa, que substitui Cristel Bared, exonerada anteontem.
Segundo a sindicância, uma multa aplicada contra Jesus em 2008, quando ele era diretor de Transportes, foi indevidamente cancelada, assim como outras 148 de 250 autos de infração que foram objeto da sindicância. O diretor também teria sido negligente ao receber em maio de 2011 documento da então coordenadora de Fiscalização de Trânsito, Maria do Socorro dos Anjos Silva, solicitando providências sobre a ocorrência de muitos cancelamentos de multas por agentes.
O presidente da comissão, Davidson Santiago Tavares, disse que a Circular Interna assinada por Maria do Socorro foi encaminhada ao então presidente da CMTU, André Nadai, que determinou a abertura de sindicância, porém, nenhuma investigação foi instaurada. O documento ficou engavetado na Procuradoria Jurídica da companhia, cuja titular era, nesta época, Cristel Bared. ''Nos a exoneramos anteontem e seu envolvimento neste caso é um dos motivos'', disse Pereira Neto.
Outro ato de negligência de Wilson seria a validação de cancelamentos de multas claramente fraudados, segundo a sindicância. A quarta irregularidade atribuída a Wilson de Jesus está relacionada ao cancelamento de multa aplicada ao coordenador de Fiscalização de Comunicação Visual, Maurício Teixeira dos Anjos, por estacionamento irregular na Avenida Santos Dummont. Jesus teria informado, em documento oficial, que não havia proibição de estacionar naquele local. Teixera e outros quatro servidores da CMTU foram acusados em ação do Ministério Público por crime de falsidade ideológica, já que teriam fraudado documentos públicos.
Defesa
Wilson de Jesus foi à Câmara de Vereadores ontem à tarde para se defender das acusações da sindicância da CMTU. Ele disse que o relatório é ''resultado de uma armadilha'' e disparou contra o presidente da sindicância, Davidson Tavares. ''Tenho aqui o espaço que não tive na investigação'', disse, alegando que não foi ouvido pela comissão.
O diretor alegou que houve desvirtuamento da investigação após a mudança na presidência da CMTU, mas negou desentendimentos com a nova diretoria. ''Tenho certeza que isso tudo não partiu dele (Octávio Cesário).'' Questionado sobre qual seria o interesse do presidente da comissão em prejudicá-lo, Jesus afirmou que ''pode ser a vontade de se manter no cargo''.
Jesus se defendeu pontualmente das acusações que constam contra ele no relatório. Negou ter sido omisso ao receber o pedido de Maria do Socorro. ''Nas vezes em que houve indício, determinei a abertura de sindicâncias, inclusive esta que teve o relatório divulgado agora.'' Ele afirmou ainda que vai à Justiça contra quem o acusa de falsificação de documentos, no caso envolvendo Maurício Teixeira. ''Isso é calúnia e difamação, usaram uma imagem do Google Street View para dizer que falsifiquei o endereço da multa.'' O diretor apresentou mapas com o endereço que seria o certo. ''Trocaram o número 500 pelo 520.'' Sobre um cancelamento da própria multa em 2008, disse que ''a única multa que tive foi paga, se tem outra, eles têm que me apresentar''.
Na Câmara, o vereador Joel Garcia (PP) afirmou que vai apresentar na semana que vem um requerimento para a abertura de comissão especial de inquérito sobre o ''escândalo das multas''.
Providências
Diante das irregularidades apontadas pela sindicância, a presidência da CMTU deve determinar hoje a abertura de processos disciplinares contra todos os envolvidos em cancelamentos de multas, que incluiu outros 47 agentes (embora alguns já não trabalhem mais na companhia). A comissão será composta por três servidores de carreira da CMTU.
O presidente também designou os três membros do Conselho Fiscal para compor a comissão que irá auditar 3,5 mil multas canceladas entre 2008 e 2012, com fortes indícios de fraudes. A sindicância dedicou-se apenas a 250 autos escolhidos por amostragem. (colaborou Edson Ferreira)


