Curitiba - O Paraná também vai entrar no emaranhado de denúncias desencadeado com o afastamento do ex-assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz. A revista Época desta semana relembra uma fita de vídeo que foi entregue pelo Sindicato dos Trabalhadores em Casas de Bingos do Paraná a deputados estaduais e jornalistas, no final do ano passado. Na fita, aparecem dois dos atuais homens de confiança do governador Roberto Requião (PMDB) pedindo votos e apoio para campanha do partido no Paraná. Caíto Quintana (PMDB), então deputado candidato à reeleição e atual secretário-chefe da Casa Civil, e Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), então coordenador político da campanha de Requião e atual presidente da Companhia Paranaense de Habitação (Cohapar), falam sobre campanha e apoio político na fita divulgada no auge da briga entre os bingueiros e Requião.
Na oportunidade, o sindicato dos trabalhadores garantiu que havia dado R$ 200 mil para as campanhas eleitorais do PMDB. Dinheiro que não foi contabilizado no relatório dos gastos de campanha do partido. Deputados estaduais cogitaram abrir uma CPI na Assembléia Legislativa para investigar um suposto caixa dois na campanha de Requião ao governo do Estado em 2002. O PFL entrou com um pedido de investigação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que foi indeferido pelo desembargador Clotário Macedo Portugal Neto.
As provas da suposta entrega de dinheiro para os políticos do PMDB nunca apareceram. No entanto, o presidente do Sindicato dos Bingos do Paraná (Sindibingos), Luiz Eduardo Dib, confirmou que havia um entendimento entre eles para a manutenção e a regulamentação do funcionamento dos bingos no Estado. ''Havia um entendimento do Caíto que as casas eram saudáveis. Ele só queria que elas fossem regulamentadas. Naquela reunião, ele nos procurou para pedir voto para ele e para o Requião. Reunimos um grupo de funcionários. No entanto, nunca dei dinheiro para qualquer um dos dois. Nem tenho conhecimento que alguém tenha feito isso'', salientou.
A reportagem da Folha tentou ontem contato com Quintana, que está em Paris, com o governador Requião. Ele não atendeu as ligações. Romanelli está em viagem e o telefone celular estava desligado. Através da assessoria de imprensa, Quintana afirmou que na ocasião da gravação da fita campanha eleitoral de 2002 ainda desconhecia as irregularidades do setor de bingos no Paraná. ''Fatos desconhecidos e graves vieram à superfície, fazendo com que o governo suspendesse as resoluções anteriores e proibisse o jogo no Paraná.'' Para ele, a reunião com funcionários de bingo foi um ato corriqueiro de sua campanha à reeleição a deputado estadual.
Também através da assessoria, Romanelli disse que a gravação foi feita sem o consentimento dele. Ele classificou as denúncias de recebimento de dinheiro como ''inverídicas na essência e no conteúdo''. Ele admitiu ser amigo há 20 anos de Luiz Eduardo Dib. ''Não cometi crime algum, porque como um dos coordenadores da campanha, participei de centenas de reuniões com o mesmo objetivo, nos mais diversos locais.'' Ele garantiu que em momento algum recebeu apoio financeiro de qualquer representante de sindicato de bingos ou de trabalhadores em casas de jogo.
As imagens divulgadas na fita de vídeo foram feitas na sede do Bingo Ventura, em Curitiba.

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