Pelo menos outros três vereadores da Câmara de Londrina estão sob investigação no inquérito que apura crime de concussão, pelo qual foi preso em flagrante, anteontem à tarde, o vereador Henrique Barros (PMDB). Ontem, as promotorias de Investigação Criminal (PIC) e de Defesa do Patrimônio Público confirmaram que mais três edis foram intimados a depor sobre o caso, na próxima segunda-feira. Os nomes não foram divulgados para não atrapalhar o andamento dos trabalhos. O peemedebista permanece detido no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), em cela individual.
Barros foi preso em uma operação conjunta do Patrimônio Público e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na tarde de quinta-feira, com R$ 9,9 mil em dinheiro, dentro de seu carro, quando trafegava pela Avenida Leste-Oeste (Área Central). Conforme o Ministério Público (MP), a investigação já vinha sendo feita há pelo menos um mês e teria rendido o flagrante só na ocasião - supostamente depois de ele receber o dinheiro, ou parte dele, de um empresário da cidade. Pela legislação penal, a concussão se caracteriza pelo fato de funcionário ou agente público exigir vantagem ilícita para si ou para terceiros, direta ou indiretamente. A pena prevista é de reclusão de dois a oito anos, além de multa.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, da PIC, ''seis ou sete pessoas'', entre as quais Barros, depuseram na quinta-feira sobre o caso do flagrante. De acordo com ele, entretanto, outras duas situações também vêm sendo apuradas paralelamente. ''Nessa primeira situação, investigamos se houve pagamento de vantagem ilícita para acelerar, facilitar ou criar condições de aprovação de projetos de lei'', afirmou, sem especificar os demais casos. O promotor disse que, tão logo esse inquérito seja finalizado, provavelmente semana que vem, ele será encaminhado para que em até cinco dias seja ou não ofertada a denúncia em ação penal.
Além da suspeita de concussão, o flagrante de Barros ensejou a apuração sobre a possibilidade de o fato configurar ainda crime de improbidade administrativa - que prevê, por exemplo, suspensão dos direitos políticos. ''Temos que ver se isso caracteriza improbidade, pois poderia gerar uma ação civil pública'', declarou o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro. Conforme Castro, nessa etapa do inquérito o MP está aberto a novas denúncias que estejam relacionadas à investigação. ''Qualquer fato relevante sobre esse caso ou sobre outros agentes públicos nos interessa; e é importante a pessoa saber que isso pode ser feito nominalmente ou de forma anônima.''
Só ontem, outros cinco empresários prestaram informações no MP - um deles, acompanhado de dois advogados, de uma churrascaria. Esteves não quis citar nomes ''a fim de preservar não apenas o curso dessa investigação, como das outras duas situações em análise''. Questionado se outros políticos podem ter a prisão decretada, Esteves resumiu: ''Qualquer providência será adotada caso tenhamos novidades''.
Horas depois da prisão, o vereador alegou à imprensa, na sede da PIC, ser inocente e vítima de uma suposta armação política: lembrou que se afirma pré-candidato à Prefeitura e que, nos últimos seis meses, determinadas ações como legislador justificariam suposta perseguição. Ele admitira ainda ter consigo, ao ser preso, uma ''quantia irrisória; menos de R$ 2 mil'', montante que seria dele. A promotoria garantiu que a questão política não permeou os passos da investigação.
Definido ontem como novo advogado de Barros, Antonio Carlos Coelho Mendes protocolou pedido de liberdade provisória na 3 Vara Criminal, no final da tarde, mas não obteve a resposta no mesmo dia. O documento seguiu para a promotora Sandra Koch, que adiantou: ''Estou aguardando a conclusão do inquérito; qualquer análise depende disso''.
Para o advogado do vereador, o fato de a prisão ter sido em flagrante não deverá complicar a estratégia da defesa, ainda não definida. ''Vai depender dos anexos a essa prisão em flagrante, como os interrogatórios'', comentou, para completar: ''Contudo, a prisão provisória do meu cliente tem caráter processual; ele não está condenado, portanto, não tem nenhuma razão que justifique a prisão dele, além da provisoriedade decorrente do flagrante''.
O ex-advogado de Barros, João Marcelo Pinto, disse ontem que apenas a esposa do vereador o teria visitado no CDR. Lá, a informação da direção era que ele teria tido as mesmas condições - como uniforme, por exemplo - dos outros mais de 160 presos do local.

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