Nas eleições municipais do ano passado, os institutos de pesquisa erraram feio nas previsões. Dois exemplos: no começo da campanha em Curitiba, o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) deveria vencer ainda no primeiro turno, mas o crescimento do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT), considerado um azarão, obrigou os institutos a rever as pesquisas. Pior ainda aconteceu em Londrina, onde o prefeito Nedson Micheleti (PT) nem estava entre os dois primeiros colocados.
‘‘Eleição é um negócio complicado. De repente, um candidato passa a ser o preferido e ninguém consegue explicar o porqu꒒, diz Daniel Hatti, da Canadá Pesquisas. ‘‘O que vimos na eleição passada só prova que pesquisa não influencia o eleitor. A eleição depende mais da atuação dos próprios candidatos do que qualquer outra informação que ele passar para o eleitor’’, analisa Waldimir Coutinho, da Alvorada Pesquisas.
Rogério Bonilha, do Instituto Bonilha, diz que é preciso desmitificar o poder das pesquisas. ‘‘O eleitor tem que aprender a ver os resultados dos levantamentos com olhos críticos e não tomar resultados parciais como verdade’’, afirma Bonilha.
Coutinho alerta que os institutos deveriam adotar mais de uma margem de erro para resguardar a credibilidade. Ele justifica que na eleição do ano que vem o eleitor terá de escolher seis candidatos na urna eletrônica. ‘‘Ele pode achar que votou no candidato, mas não digitou direito os números dos votos e para a pesquisa ele vai dizer algo que na prática não se consumou.’’ (D.V.)

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